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Diocese de Bauru está acima da média em quantidade de padres

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Com a ordenação do padre Márcio Cattache na última sexta-feira, a Diocese de Bauru mantém-se em uma posição privilegiada entre as dioceses vizinhas, com apenas 5% das paróquias sem um padre exclusivo. Porém, as duas cidades que ainda não possuem sacerdote, Avaí e Lucianópolis, de acordo com informações do vigário geral da Diocese de Bauru, padre Luis Antonio Carqueijo Sé, são atendidas por padres de outras paróquias.

“Felizmente estamos acima da necessidade. A Diocese compreende 14 cidades, com 40 paróquias. Agora, com as novas ordenações, duas das quatro que estavam sem padre serão atendidas. Padre Marcos (Pavan, ordenado dia 16) está na paróquia São José, em Gália, e o padre Márcio (Cattache, ordenado dia 23) fica em Bauru, no Mary Dota”, explica. No total, de acordo com publicação de janeiro de 2005, desconsiderando novas ordenações e afastamentos por motivos de saúde, a Diocese de Bauru chega a somar 72 padres.

Para o padre Luis, que também é pároco da Catedral do Divino Espírito Santo, a atuação não está restrita à sacristia. As tarefas são divididas e os padres também atuam de acordo com especialidades. Na Diocese de Bauru, há padres especializados em direito, economia, ética, sagradas escrituras. “Hoje o padre não fica só em oração e celebrando missas, é bem diferente. Ele precisa estar integrado com a sociedade, por isso, é necessária a formação contínua em vários níveis. Nos deparamos com diversas situações e precisamos saber conduzir. Assuntos como ética e biotecnologia, por exemplo, a pessoa não pode estar ignorante a tudo”, ressalta.

No passado, muitas pessoas buscavam o seminário para conseguir estudar, hoje a seleção é mais direcionada para aqueles que realmente sentem-se preparados para a vida sacerdotal. “Hoje, o mais importante é trabalhar a qualidade da pessoa. Observamos o equilíbrio psicológico, a capacidade para os estudos. Diferente das décadas de 70 e 80, quando a maioria dos vocacionados saía das paróquias, hoje também vêm de grupos e movimentos, como a renovação carismática e os focolarinos”, diz.

A Pastoral Vocacional procura trabalhar com rapazes e moças que se apresentam como vocacionados. “Procuramos conhecer a família, os aspectos psicológicos, equilíbrio, a capacidade para os estudos. Depois de toda essa avaliação, o vocacionado entra para Propedêutico, quando há a preparação para os estudos formais”, explica. São cerca de sete anos de dedicação, o último como diácono, além da possibilidade de se aperfeiçoar em determinadas áreas.

“Eles estudam filosofia e teologia, que na nossa Diocese, são feitos em Marília. Lá, eles têm contando com alunos de outras dioceses. Nesse período, temos uma equipe que acompanha a formação dos vocacionados, com visitas mensais”, acrescenta. Os vocacionados também são designados a estágios em paróquias, momento em que é possível observar certas características, como liderança, cooperação, espiritualidade.

Padre bauruense

Na última sexta-feira, foi realizado no Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida a ordenação do padre bauruense Márcio Cattache, 29 anos. Após concluir o diaconato, ele assume a paróquia do Mary Dota e, em seu lema “Não vos chamo servos, mas amigos”, mostra seu interesse em integrar com a comunidade. Alegre com a nova fase em sua vida, padre Márcio percebeu sua vocação aos 17 anos, quando atuava em grupos de jovens e na catequese.

“É muito gratificante, uma alegria de poder, em Cristo, ajudar o nosso próximo e colaborar com a missão da Igreja. Muitos podem achar que é uma vida de abnegações, mas não é. É uma vida de sonhos e realizações”, ressalta. Padre Márcio conta que o apoio familiar também é muito importante para o vocacionado. “Minha família foi sempre muito compreensiva”, acrescenta.

Novos vocacionados

O padre Luis Antonio Carqueijo Sé diz às pessoas que sentem-se tocadas à vida religiosa para que reflitam sobre vários aspectos. “Em primeiro lugar, pense se realmente está buscando um caminho de vida, de santidade. Em segundo lugar, reflita se é capaz de enfrentar dificuldades e, em terceiro, pense se é uma pessoa de oração e de vida em comunidade”, acrescenta.

O vigário geral da Diocese procura observar estes três pontos, antes de indicar o seminário. “O pessoal acha que vai ficar rezando o dia todo, mas é bem diferente. O padre não é um ET, ele é um ser humano integrado com a sociedade. Ele também terá que estar informado, atento à realidade, que envolve família, ensino, trabalho, política”, acrescenta.

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