Cultura

Grupo Rapazzola está de volta com novo CD

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

O cabelo é vermelho, as roupas, moderninhas, e o vocalista é Tomate. Foi desta salada que surgiu a banda baiana Rapazzola, que estourou no Carnaval deste ano em Salvador e que, em poucos meses, se tornou febre nacional com a música “Coração”. O som tem pitadas de forró, passa pelo reggae e chega até mesmo a se aproximar do pop rock, mas o tempero baiano da percussão em todas as melodias não deixa enganar. A banda, revelação do gênero, é de axé music.

Mais maduro, o grupo entra em 2006 com o segundo CD da carreira, “A mais de mil”, e promete arrastar multidões com a nova música de trabalho, “Aqui é o seu lugar”. “Tivemos mais tempo para selecionar as composições, sempre pensando em músicas diferentes que colocassem a galera para cima”, conta Fabrício Cardoso Kraychete, o Tomate, em entrevista ao JC Cultura. Os integrantes escutaram cerca de 3 mil músicas para selecionar as 14 que compõem o disco.

O nome do CD marca a atual fase dos músicos que, desde o Carnaval, têm percorrido o País com shows e já estão com agenda lotada até o final do primeiro semestre de 2006. “Nós estamos numa correria danada, viajando por vários Estados e sem descansar. É o reconhecimento de cinco anos de trabalho”, diz Tomate, que ainda não se acostumou com tanto sucesso. “Eu gosto de levar uma vida normal, mas agora, com tanto assédio, isso é mais difícil”, lamenta.

A banda, que tem sido colocada no mesmo nível dos consagrados Ivete Sangalo, Banda Eva e Chiclete com Banana, orgulha-se da comparação. “Dizem que eu sou a Ivete de calças”, gaba-se Tomate, que é fã confesso da cantora. Para ele, são essas as bandas que fazem o legítimo axé. “Tem grupos com letras mais apelativas e dançantes que, só porque são da Bahia, dizem que fazem axé. Acho que cada grupo tem o seu merecimento, mas eu tenho uma opinião diferente”, esquiva-se o cantor, que recentemente causou polêmica ao declarar que grupos como Harmonia do Samba, É o Tchan e Terra Samba eram bandas de pagode baiano, e não de axé.

O grupo teve que ralar muito para atingir o sucesso. “Como qualquer outra banda que consegue reconhecimento, é preciso comer o pão que o diabo amassou. Se o prestígio vem rápido, ele vai embora rápido também”, diz Tomate. Para quem ouve essas palavras, não acredita que o jovem cantor tem apenas 23 anos, assim como a maioria dos seus companheiros, que têm entre 17 e 25 anos.

“Nós somos muito novos, por isso o nome da banda ser Rapazzola e ainda com dois ‘z’”, explica Tomate, que é acompanhado por Fábio (teclado), Deco (guitarra), André Luiz (baixo), Diego (bateria), André, Rafael e Digão (percussão), Leonardo (saxofone), Fabiano (trombone), Dinho (trompete), Lázaro e Aline (backing vocal).

O cantor leva em seu braço a tatuagem que, na visão de Tomate, simboliza o grupo. “É o meu rosto, circulado em vermelho”, conta. O porquê do apelido, o cantor explica. “Quando tinha uns 8 anos raspei a cabeça e fui para a praia. Daí, já dá para imaginar o que aconteceu, né?”, diverte-se.

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