Com combustível fora das especificações determinadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Auto Posto Bela Vista, na rua Carlos Marques, 9-38, teve suas bombas e tanques lacrados pela Delegacia Regional Tributária (DRT) no início da tarde de ontem. A gasolina era vendida pelo mesmo preço do mercado, mas a análise realizada em amostras colhidas em agosto constatou a presença de solvente em sua composição.
O estabelecimento teve a inscrição estadual cassada e está proibido de comercializar combustíveis durante cinco anos. Na última sexta-feira, um posto localizado na avenida Rodrigues Alves teve suas bombas lacradas pelos mesmos motivos. As duas operações contaram com o apoio da Polícia Civil.
Segundo informou Hélio Amorim Garcia, agente fiscal da DRT, no dia 25 de agosto fiscais coletaram amostras do combustível comercializado pelo posto durante a operação “De Olho na Bomba”, que visitou 22 postos da cidade e oito na região. Após o resultado da análise, ficou comprovado que a gasolina vendida no local estava fora dos padrões determinados pela ANP. Segundo a Delegacia Tributária, foi constatada a presença de solvente no combustível.
Garcia conta que houve uma defesa administrativa por parte da empresa, mas a Justiça decidiu pela lacração das bombas. “O governo do Estado está procurando preservar o consumidor”, enfatiza. Ele explica que os responsáveis pelo posto ainda podem entrar com recurso para restabelecer as vendas de combustível. Caso a Justiça mantenha a decisão, os proprietários ficam impedidos de abrir um novo posto por cinco anos.
Norberto Crespi, titular da DRT, lembra que a operação “De Olho na Bomba” iniciou investigações em quatro postos da cidade. Dois já foram lacrados e os outros ainda estão em análise. “O que pretendemos é alertar os contribuintes a não comprar combustível de empresas desconhecidas”, aponta Crespi. Ele enfatiza que, durante o próximo ano, a DRT fará operações de coleta de combustíveis uma vez por semana. “Vamos fiscalizar a região toda dessa forma”, revela.
O advogado dos proprietários do posto, João Guilherme Claro, afirmou que seus clientes assumiram no dia 1 de dezembro a administração da empresa, portanto, não seriam responsáveis pelos combustíveis que estavam nos tanques no momento da operação realizada no dia 25 de agosto.
Claro disse que vai entrar com recurso pedindo a contraprova da análise. Ele também pretende apresentar a nota fiscal da compra do combustível que estava sendo comercializado no posto até então.
Enquanto o posto era lacrado, Sueli Rossia parou seu carro para abastecer. Ao ser informada sobre a lacração, ela se mostrou surpresa. “Sempre fui cliente aqui e nunca aconteceu nada. Estou espantada”.