Recordo com um misto de alegria e de saudade os natais que desfrutei em minha vida desde os tempos da infância. Quando ainda menino, esperava com ansiedade a chegada do bondoso velhinho que, com o seu “trenó puxado pelas renas”, entrava pela chaminé para deixar, sobre o fogão, os brinquedos pedidos pela criançada.
Certa vez, discutindo com colegas, defendia com unhas e dentes a existência do Papai Noel. Na véspera de um desses eventos, disseram eles: “Procure em sua casa e encontrará os brinquedos já embrulhados, os quais no Natal você deverá receber como sendo oferecidos pelo “seu” Papai Noel!”
Seguindo à risca aquela sugestão, grande foi a minha decepção ao observar, realmente, alguns pacotes em um guarda-roupa, que na manhã seguinte estariam ao lado de meus sapatos, no velho fogão à lenha. Assim, naquele longínquo ano acabava a minha ilusão em torno do Natal.
Mesmo assim, não deixei de construir aquele sonho para os meus filhos que durante muitos anos acreditaram, piamente, na existência daquela figura tão querida. Como eu, na madrugada do dia de Natal, ainda sonolentos, eles acordavam bem cedo para abrir os pacotes contendo os presentes.
Os anos passaram e, para eles, o sonho terminou mais cedo, pois nestes modernos tempos não foi possível continuar com a inocente ilusão. Atualmente, o velho Papai Noel não deixa de ser um mero coadjuvante nos festejos natalinos. Ele, principalmente na televisão, é uma excelente promoção comercial em torno do Natal.
Neste 2005, depois dos festejos que reuniram meus filhos, netos, noras e genro, em pleno dia de Natal eu, minha esposa Helena e o filho Luiz Antônio rumamos para Tatuí para uma visita à minha sobrinha Fernanda, seu marido Vicente, filhos, bem como para um reencontro com a minha cunhada Dulce, mulher do meu irmão Jack, já falecido. Foram momentos de inesquecíveis recordações e ela, com 84 anos de idade, sofrendo alguns problemas de saúde, não conteve as lágrimas quando nos viu naquela inesperada visita. Essa emoção tomou conta de todos.
Fatos do passado voltaram como um passe de mágica, inclusive quanto ao meu saudoso irmão mais velho - Jack - que ainda bem jovem fez parte da Força Expedicionária e, na Itália, lutou em defesa da democracia, na II Grande Guerra. Assim, neste 25 de dezembro passei horas que jamais serão esquecidas, ao lado de outros membros do clã Pires.
Luciano Dias Pires