Em artigo publicado neste Jornal no dia 17/05/05, sob o título de “O Vôo de Galinha”, alertara para a tendência de semi-estagnação da economia brasileira até o final do ano. E isto aconteceu! A incompetência do Governo Federal na gestão da economia, com a utilização de dose cavalar nas taxas de juros, desacelerou a produção industrial e o comércio varejista, inibiu os investimentos privados, endividou as pessoas e as empresas que buscaram recursos em instituições financeiras.
Além desses danos, a manutenção de taxas de juros altas ao longo ano, provocou um aumento significativo da dívida pública interna, que hoje atinge R$ 1 trilhão.
O crescimento modesto do PIB, em torno de 2,6%, demonstra que, neste ano, perderam-se todos os benefícios da recuperação econômica do ano passado. O país precisa crescer próximo de 5% ao ano para gerar emprego e renda sustentáveis e também para que possamos voltar a acreditar no futuro. Nossos vizinhos emergentes cresceram este ano a taxas de 6%, sendo que a Argentina deverá crescer 9%. Nem incluímos aqui a China e a Índia, que também terão o PIB acima de 8%.
Os indicadores revelam que estamos perdendo o bonde da história, pois estamos deixando de aproveitar o extraordinário desempenho da economia mundial exclusivamente por incompetência na administração do país.
Muitas empresas exportadoras já começaram a demitir por conta da falta de competitividade que as taxas de câmbio baixas podem trazer. Principalmente naqueles setores que utilizam mão-de-obra extensiva como calçados, confecções, móveis etc.
No mercado interno, as empresas, sobretudo as pequenas e médias, viram suas vendas despencarem, seus custos subirem e seus lucros achatarem. Tudo isto porque a renda interna é muito pequena, o que fez diminuir o consumo e, as empresas para girarem seus estoques, sacrificam as margens muitas vezes na linha do limite, o que as fazem descapitalizar e desincentivarem para novos investimentos. Investimentos estes que poderiam gerar novos empregos, que gerariam novas rendas, novos consumos e um novo ciclo virtuoso da economia.
E o que acontecerá em 2006?
A meu ver, o governo Lula terá duas alternativas:
1) Ter a coragem de baixar radicalmente as taxas de juros para que a economia volte a crescer, reduzindo ao mesmo tempo os gastos de custeio do governo ou,
2) Manter a posição conservadora deste ano e, então, teremos uma repetição do que se viu até agora.
Os primeiros três meses do ano definirão muita coisa e são imprescindíveis para se saber o que vai acontecer. O difícil, me parece, será conter a ansiedade dos políticos do PT. Nós viveremos para ver!
O autor, Carlos Roberto Sette, é economista e consultor de empresas - mestre em Gestão da Informação e do Conhecimento e coordenador do grupo de economia do Ciesp-Bauru