Brasília - A votação da peça orçamentária para 2006 ficou ontem refém de uma escada Magirus, usada por bombeiros para combater incêndios em prédios altos. Furioso por não ter sido contemplada uma verba de R$ 8 milhões para a primeira Magirus de Teresina (PI), o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) anunciou que a votação do Orçamento “subiu no telhado”. “E é um telhado pegando fogo”, disse.
Segundo ele, foi descumprida uma promessa do governo de incluir a verba no Orçamento. Por isso, a oposição iria obstruir a votação. “Você pode imaginar uma cidade de 800 mil habitantes sem um sistema de combate a incêndios nos prédios? Estamos aqui tratando de salvar vidas”, disse o senador, que assumiu que agia de forma paroquial. “Tenho que ter os olhos voltados em quem me mandou para cá”, justificou.
O assunto dominou parte da sessão de ontem da Comissão Mista de Orçamento. O senador Romeu Tuma (PFL-SP) solidarizou-se com o colega. “Combate a incêndio é uma coisa grave. E nós acabamos de ter um exemplo disso aqui”, disse Tuma, em referência ao incêndio nessa semana em um prédio do INSS, em Brasília.
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), um tanto constrangido, reconhecia que a briga por uma escada Magirus “é uma boa causa”, ao mesmo tempo em que pedia mais equilíbrio. “Não se pode paralisar o Orçamento por uma escada.” No início da tarde, Fortes demonstrava mais flexibilidade.
Segundo ele, um técnico do Ministério do Planejamento entrou em contato, prometendo estudar a inclusão da verba no Orçamento. “Se o governo tivesse cumprido o que prometeu não precisaríamos passar por esse constrangimento”, disse.