Economia & Negócios

Empresários esperam 2006 conservador

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Grande parte dos micro e pequenos empresários de Bauru e região aposta em um cenário econômico conservador para 2006. A projeção é de que o Banco Central (BC) manterá a taxa básica de juros alta e que o câmbio permanecerá baixo, ou seja, uma repetição dos acontecimentos de 2005. Os juros médios aguardados são de 16% ao ano, com inflação de 4,5% e crescimento de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo perspectiva dos empresários. De acordo com o economista e conselheiro da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Carlos Sette, o quadro nacional conservador aguardado em âmbito nacional pode ser transposto para a região de Bauru.

Por abrigar empresas de diversos setores - alimentício, gráfico, produtos plásticos, químico e metal, vestuário e acessórios, madeira, máquinas e equipamentos, aparelhos e materiais elétrico, móvel, têxtil, produtos farmacêuticos, entre outros, o economista afirma que a região tem vantagens estratégicas, como a localização privilegiada no Estado de São Paulo, equilíbrio de empregos e recolhimento de impostos.

“Bauru tem empresas de diversos setores e percebe-se que é uma vantagem, porque a economia globalizada não permite mais que a cidade aposte em apenas um setor. Quando existem vários setores dentro da cidade o risco é menor, porque quando um está mal, o outro está bem”, justifica Sette.

A pesquisa realizada pela empresa de consultoria do economista ouviu 187 empresários de pequenas e médias empresas dos setores da indústria, comércio e serviços. Eles escolheram qual dos quatro cenários econômicos propostos é o mais provável para 2006. Dos entrevistados, 42% aguardam um Banco Central conservador.

“Os empresários acreditam que o controle da meta de inflação vá continuar em 2006, com taxas de juros altas. Como a balança comercial vai continuar favorável porque o Brasil já conquistou clientes estrangeiros, deve haver entrada de dólar via balança comercial e capital estrangeiro, como foi este ano. Com isso, o Brasil vai pagar a maior taxa de juros real do mundo e o câmbio continuará baixo”, estima Sette.

Já 24% dos entrevistados esperam uma reversão do cenário mundial, com aceleração da taxa de juros nos Estados Unidos, elevação dos preços do petróleo, desaceleração da economia da China e Estados Unidos e problemas nas negociações comerciais do Brasil com a Argentina.

Outros 18% esperam que o País ‘decole’, com crescimento da massa salarial, do crédito a pessoa física, expectativas de inflação sob controle, diminuição de juros e valorização do câmbio. Os demais 16% dos empresários consultados aguardam um cenário populista para 2006, com o governo federal abrindo cofres e aumentando os gastos públicos, criando uma bolha de consumo nos meses que antecedem as eleições e embate populista entre os candidatos.

Se o cenário econômico conservador se efetivar em 2006, as perspectivas apontadas pelo economista são de que alguns setores serão mais beneficiados do que outros. O turismo, por exemplo, terá vantagens com o dólar baixo, incentivando os estrangeiros a visitarem o Brasil. Outro exemplo é o setor imobiliário, beneficiado pela liberação de altos volumes de financiamento por parte do governo federal. Já o setor de infra-estrutura poderá ser prejudicado pela estagnação do investimento público, a não ser que sejam reativadas as Parcerias Público Privadas (PPPs).

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