Um lugar onde a arte vive e se procria por meio de conversas entre amigos e risadas regadas à cerveja. Onde os convidados trocam experiências, encenam performances de teatro e dança, tocam instrumentos, discutem e promovem cultura. Este cenário, onde não é preciso palco nem bilheteria, muito menos limite para a criação, reúne músicos, atores, diretores de teatro e artistas plásticos bauruenses.
Os encontros se dão casualmente na casa da artista plástica Lu Bernardes. É lá onde cerca de 20 artistas promovem uma espécie de sarau, que tem início com o cair da noite e estende-se até o nascer do sol. “Nada é planejado, um liga para o outro e as pessoas vão surgindoâ€, conta a anfitriã. Nas reuniões, os presentes dão vazão a toda sua criatividade e dons artísticos. “Nós produzimos figurinos, interpretamos personagens e fazemos um som. Mesmo quando não tem instrumentos, a gente canta. São momentos em que voltamos a ser criançasâ€, afirma Bernardes.
Uma das pessoas que sempre está presente é a atriz Mariza Basso. “Como a cidade não oferece muitas opções culturais noturnas, nós criamos algo novo. Lá, discutimos sobre tudo, desde banalidades até coisas sériasâ€, afirma Basso, que de vez em quando ataca de DJ. “Levo uns CDs e faço umas sonoplastias. É divertido e totalmente culturalâ€.
Na última reunião, realizada no mês passado, foi celebrado o aniversário do diretor de teatro e ator Val Rai. O encontro contou com decoração de velas e uma performance de butoh (dança de origem japonesa da década de 60) feita pelo artista. “Esta dança é uma expressão do interior. E na casa, como tem um quintal grande, é ótimo porque rola o contato com a naturezaâ€, explica Val Rai. Mas o artista coloca que a finalidade do encontro não é puramente cultural. “Nosso maior objetivo é o relacionamento, a troca de afeto. Mas como são todos artistas, sempre acontece alguma performanceâ€, diz.
Efervescência
O ambiente é propício para a elaboração de idéias e projetos e fechamento de parcerias. “No último encontro, encenei um pedaço do espetáculo que estou montando baseado no texto ‘Memórias do Subsolo’, de Dostoiévski. No final da apresentação, começamos a conversar e fechamos figurinos e cenários com outros artistasâ€, lembra Val Rai, que já fez parcerias com Lu Borges e com o diretor de teatro Márcio Pimentel. “O Márcio está com um espetáculo novo e me chamou para fazer a sonoplastia. Além disso, fui convidado outras vezes para ensinar o butoh para o elenco de sua peçaâ€, conta.
São várias as idéias que surgem e que vão sendo estudadas até realmente serem concretizadas. Um dos projetos em andamento é a união das artes plásticas com o teatro. “Alguns quadros que faço serão utilizados como cenário para algumas peças de teatro. Sempre existe um intercâmbio entre as categorias que acontecem graças a esses encontrosâ€, afirma Lu Bernardes.