Lugar de homem é na cozinha. Desde chefs a amantes da culinária, cada vez mais, eles provam que o “território” não pertence exclusivamente às mulheres: assumem o controle do forno e do fogão e dedicam-se à preparação de pratos saborosos. O tradicional feijão com arroz e bife passa longe do cardápio escolhido pelos gourmets. Isso porque, para grande parte dos homens, cozinhar é um hobby ou até mesmo uma arte que exige disciplina, criatividade, bons ingredientes e aprimoramento constante.
As regras básicas são adotadas pelo corretor de imóveis Sylvio Garcia Jr., o engenheiro Marcos Wanderley Ferreira e o comerciante Nelson Becker, todos excelentes homens de forno e fogão. Em comum, o gosto por criar suas próprias receitas.
Ferreira começou a cozinhar na adolescência, em passeios e pescarias com a família e amigos. Nas festinhas e reuniões com colegas de escola, fazia questão de cozinhar. “Depois de formado, era o churrasqueiro”, diz. “Durante muitos anos, na Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, nós tínhamos reuniões de terças e quintas-feiras e praticamente toda semana eu e mais três amigos cozinhávamos. Mais ou menos umas 70 pessoas, entre sócios e amigos, participavam”, conta ele.
Com o passar dos anos, o engenheiro aperfeiçoou seus dotes culinários. Pesquisou receitas e elaborou iguarias especiais. Entre elas, um prato inspirado em um livro da Idade Média. “Preparo uma língua de boi com molho de vinho com amêndoas e nozes. Cozinho a carne com várias ervas, como alecrim, manjerona, manjericão e depois frito-a na manteiga. Em seguida, acrescento o molho e sirvo com arroz”, detalha ele, que continua em processo de aprimoramento.
Outro ponto forte do engenheiro é preparar pratos a base de frutos do mar, como caldeirada, paeja, lula ensopada, polvo e peixes - todos completados com molhos diferenciados, especialidade que lhe rendeu o livro “Molhos: Fáceis e Descomplicados”. A obra contém dezenas de receitas que garantem um sabor delicioso a cada iguaria, destaca ele. “Gosto de fazer pratos mais especiais. Acho que a comidinha simples não tem muita graça. Busco sempre fazer alguma coisa diferente”, diz.
O comerciante Nelson Becker também é amante da culinária desde a infância. Começei a cozinhar aos 7 anos”, conta ele. “Sempre tive curiosidade de fazer pratos diferentes e cada vez mais fui aperfeiçoando as receitas. Hoje, faço qualquer tipo de prato, entre salgados e doces, dos mais simples aos sofisticados”, revela.
Quem sai ganhando é sua família, que nos encontros e almoços sempre espera saborear suas iguarias. “Eles adoram minha comida”, diz, satisfeito. Entre as especialidades de Becker, destacam-se as tortas de limão e holandesa. Quando questionado sobre suas receitas, porém, ele não revela todos os truques. “O segredo está na mão de cada cozinheiro”, diz.
Convivência
Sylvio Garcia Jr. descobriu o mundo da culinária há dois anos, mas tem o mesmo comportamento de Ferreira e Becker. Em busca dos melhores sabores, ele pesquisa, estuda e costuma fazer um teste com diferentes receitas antes de servir os pratos.
“Começei a cozinhar com uma amiga. Nós procurávamos um prato na Internet e selecionávamos as melhores receitas. Em seguida, montávamos a ‘nossa’”, conta ele, que faz questão de dar um toque pessoal em cada iguaria. Para isso, ao entrar na cozinha, segue uma espécie de ritual, que inclui a separação de todos os ingredientes em vasilhas específicas.
“Além disso, cozinho sempre tomando uma taça de vinho. É um hobby e cozinho por prazer”, diz. Sua especialidade é uma salada feita com verduras, frango e queijo, além dos risotos.
Se depender dos amigos – que costumam degustar o cardápio de Garcia Jr. semanalmente - ele está mais do que aprovado. Isso porque além de provar iguarias, os encontros gastronômicos servem para estreitar laços de amizade e estimular a convivência. “Montamos uma mesa bonita e, quando estou cozinhando, todos ficam conversando enquanto esperam a comida ficar pronta”, diz.