Tontura, falta de disposição, sonolência e perda do apetite: em meio à correria cada vez maior do cotidiano, sintomas como esses muitas vezes são atribuídos ao cansaço e ao estresse. Mas é bom estar atento, pois essas mesmas sensações caracterizam a anemia, síndrome que atinge quase 2 bilhões de pessoas no mundo e que atualmente é um dos diagnósticos mais freqüentes nos consultórios médicos.
“Ter anemia significa que a concentração de hemoglobina no sangue está abaixo do normal”, explica a médica Laura Chialanza Garcia, hematologista do hospital Beneficência Portuguesa de Santo André (ABC). A hemoglobina é o pigmento que compõe os glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação das células. Sem essa substância, a quantidade de glóbulos diminui, há descoramento do sangue e, mais importante, o transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos do organismo é comprometido.
O que provoca esse problema, no entanto, é mais do que falta de ferro. A carência dessa vitamina é apenas um dos motivos. “A anemia é uma síndrome causada por diversos aspectos ligados à saúde, que podem ser desde ausência de nutrientes até uma eventual leucemia”, alerta Maria Estella Figueiredo, chefe do setor de anemia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Falta de disposição e tontura apontam para a síndrome que pode ser confundida com o estresse e o cansaço do dia-a-dia
Como a anemia ferropênica (por falta de ferro) é a mais comum, a associação é imediata. Mas o mesmo diagnóstico pode ocorrer se houver uma baixa de ácido fólico ou vitamina B12 no organismo. São as chamadas anemias carenciais. A falta de qualquer desses nutrientes pode ocorrer não só por uma alimentação inadequada, mas também por falhas de absorção no estômago ou perdas crônicas de sangue - devido à menstruação intensa, hemorróidas, úlcera e urina, por exemplo.
A ausência de ferro, inclusive, está mais ligada à perda de sangue do que à comida. Como é o principal elemento de formação dos glóbulos vermelhos, toda vez que há perda de sangue, um pouco do nutriente vai embora também. Por isso, algumas pessoas adquirem anemia logo após doar sangue ou fazer uma cirurgia.
A alimentação está em jogo também quando o assunto é ácido fólico, presente em frutas e verduras cruas ou pouco cozidas. Quem sempre dispensa um bom prato de salada corre o risco de ter uma anemia desse tipo, para a qual o melhor remédio ainda é comer. “A cada 120 dias, os glóbulos morrem. A formação dos novos depende da alimentação”, afirma a médica Maria Estella. O mesmo acontece com a carência de vitamina B12, bastante comum em pessoas vegetarianas ou que restringem demais o consumo de carnes, ovos e leite.
Herança
Além das anemias carenciais, há também as que são provocadas por problemas hereditários, como a falciforme. Nesse caso, o indivíduo tem glóbulos vermelhos em formato diferente - forma de foice -, que obstruem os vasos e não permitem a irrigação de oxigênio. Entre os sintomas estão dores no corpo inteiro.
Outra anemia causada por herança genética é a talassemia. Considerada uma doença grave, é caracterizada pela baixa produção de glóbulos, que já nascem defeituosos. Crianças com esse quadro correm até risco de morte e precisam ser constantemente medicadas e submetidas a exames e transfusões.
Há ainda as anemias associadas a doenças, crônicas ou não, como insuficiência renal, leucemia, tuberculose, aids e câncer. “É preciso atacar a causa. Como são muitas variações, é importante investigar bem antes de fazer qualquer tratamento”, afirma a médica Laura.
*Mariana Martinez