Bairros

Getúlio, o "metro" mais cobiçado

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 3 min

Quem comprou um ou mais lotes de frente para a avenida Getúlio Vargas há mais de 10 anos certamente não terá motivos para reclamar se estiver pensando em negociar o imóvel, pois o metro quadrado do terreno naquela área é um dos mais valorizados de Bauru, de acordo com representantes de imobiliárias consultados pela reportagem do JC nos Bairros.

Segundo o corretor de imóveis Roberto Lima, o trecho que compreende as quadras 1 e 8 pode custar de R$ 800,00 a R$ 1 mil o m2. “Os comerciantes e investidores que procuram pontos na Getúlio sabem que o retorno é garantido. Por isso, a valorização é tão grande”, explica. “O imóvel que está no terreno quase não conta, o que vale mesmo é o terreno”, emenda.

Lima, que possui sua imobiliária instalada na própria Getúlio Vargas, lembra que a valorização começou por volta do início da década de 90. Ele atribui o desenvolvimento da área à construção de alguns condomínios residenciais de luxo nas proximidades e à duplicação da avenida. “Quando cheguei aqui, em 1997, ainda havia muitas residências, mas levou pouco tempo para que quase tudo fosse tomado por lojas”, recorda.

Ele acredita que a região do Calçadão seja a única área de Bauru que possa se aproximar aos altos valores do metro quadrado da Getúlio e reforça que dificilmente um condomínio residencial seja mais caro.

Ércio Luiz Domingues, proprietário de outra imobiliária bauruense, estipula entre R$ 500,00 e R$ 800,00 o valor do metro quadrado dos terrenos cortados pela via. Ao comparar com o preço do terreno na avenida Nossa Senhora de Fátima, a diferença é considerável, pois o valor fica entre R$ 400,00 e R$ 600,00 o m2. “O Jardim América teve uma valorização normal, enquanto que a valorização excessiva da Getúlio está relacionada ao comércio”, compara Domingues. “Hoje, a pessoa que vender o seu imóvel na Getúlio e comprar outro em uma região residencial terá lucro na certa”, emenda.

O “boom” da avenida economicamente mais importante da zona sul também se deu por conta dos bairros que a circundam e em razão da boa situação financeira das pessoas que habitam a área. “Em função do estilo de moradias da região sul, é possível reparar que o comércio da Getúlio busca um público diferente daquele que costuma gastar no Centro”, argumenta o secretário de Desenvolvimento de Bauru, Walace Sampaio. “A avenida não prejudicou o comércio central. Hoje nós temos dois pólos comercias fortes no município”, emenda.

Embora considere que o surgimento de novas concentrações de estabelecimentos comerciais seja um fenômeno natural das cidades em desenvolvimento, o secretário afirma que em Bauru isso aconteceu de forma atípica. “Enquanto que em alguns municípios o antigo Centro acabou abandonado, aqui isso não acontece. Ao invés de migrar para outros lugares, o nosso comércio se amplia”, compara.

Para finalizar, Sampaio também prevê que, futuramente, a Getúlio deverá enfrentar os mesmos problemas da avenida Duque de Caxias, como a falta de estacionamento. Porém, ele vê a possibilidade de uma expansão ainda maior do comércio da zona sul através da avenida Nossa Senhora de Fátima, que fica muito próxima à Getúlio. “A Nossa Senhora oferece várias oportunidades para o crescimento daquela região”, encerra.

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