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Nosso ‘Ibirapuera’ adormecido

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Uma área verde de 14,7 alqueires, dotada de nascentes, mata nativa e recortada pelo córrego Água do Castelo, a menos de três quilômetros do Centro de Bauru é uma reserva ambiental que poderá se transformar em um novo cartão postal do município. Apelidado de “Ibirapuera de Bauru” pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho, idealizador do Parque Vitória Régia, o Parque do Castelo poderá mudar o cenário da cidade e transformar um vazio urbano em uma área de lazer, cultura e entretenimento.

No papel há quase 20 anos, o Parque do Castelo está localizado entre os bairros Jardim Godoy e Alto Alegre, e divide a área onde está prevista a abertura da avenida Nações Unidas Norte, importante via que interligará os bairros vizinhos até o encontro com a rodovia Bauru-Marília, futuro acesso da cidade. Recentemente, o deputado Pedro Tobias (PSDB) sugeriu a inclusão de uma emenda no orçamento de 2006, solicitando ao governo estadual a execução da avenida Nações Unidas Norte.

Caso a votação do orçamento, suspensa até 30 de janeiro, mantenha a emenda, Bauru fica mais próxima da conquista da avenida, o que dependerá, certamente, da disponibilidade de verba e articulações políticas. Mas se depender do empenho de lideranças da cidade, o prolongamento da avenida poderá ter início, o que conseqüentemente, exigirá também o planejamento para as obras do Parque do Castelo.

A região ainda passa despercebida para muitos bauruenses que desconhecem sua história e importância ambiental, com exceção daqueles que vivem em bairros vizinhos, que sofrem com a quase inexistência de acessos integrados. O Parque do Castelo também possui referências históricas, pois foi, no passado, o local onde imigrantes espanhóis encontraram minas d’água, de onde engarrafaram a Água do Castelo, comercializada na cidade e fonte de produção de bebidas.

Há também informações que uma universidade de Bauru possui um terreno na região e pretenderia investir na área de saúde, no momento em que a avenida estivesse concluída, o que certamente beneficiaria a população local.

Mas são os olhos de Jurandyr Bueno Filho que brilham ao falar do assunto. “São mais de 14 alqueires de área que chega até a rodovia Bauru-Marília. Esse vazio urbano seria de extrema importância para a cidade. É muito próximo ao centro. Poderá ser o Parque Ibirapuera de Bauru”, acrescenta.

Com sua experiência profissional, Jurandyr Bueno já visualiza um grande lago de quatro alqueires, áreas verdes, espaços culturais e de lazer, que certamente atrairiam a população. “Vejo as nascentes que existem lá e toda a área verde. A área do Parque Vitória Régia era muito semelhante, a diferença é que quando fizemos a Nações havia uma grande erosão”, recorda.

Ele acrescenta a necessidade de se investir com urgência na região para ampliar o acesso da população, que poderia ir a pé ao Centro, dada a reduzida distância, e garantir a preservação da área. “Se não há um projeto, a área vai erodindo, tendo ocupação e começa o processo de favelização”, diz o arquiteto.

O prefeito Tuga Angerami (PDT) também é um entusiasta da proposta, mas admite que o sonho só poderá sair do papel se houver recursos estaduais para a conclusão da avenida. “O projeto Parque do Castelo está pronto, tem algumas desapropriações (já realizadas) e várias pessoas fizeram doações de terra para que seja feita a avenida Nações Unidas Norte. O Pedro Tobias apresentou uma emenda para o orçamento (de 2006) prevendo recursos para o prolongamento”, recorda o prefeito.

Ele acredita que à medida em que o prolongamento se concretize, o Parque do Castelo se tornará uma realidade. “A idéia é ter uma área de lazer, bosques, um espaço bonito de encontros, realmente um espaço de lazer da população. Tem gente que tem idéia preservacionista, (desejando) que a área fique intocável, mas não é isso. É preciso manter, preservar, mas usufruir.”

Origem do nome

A origem do nome Castelo para a região localizada hoje entre os bairros Alto Alegre, Vila Seabra e Jardim Godoy muita gente desconhece. Em 1898, quando Bauru ainda era um povoado, uma família de imigrantes chegou do sul da Espanha para ter seus filhos e contribuir para o desenvolvimento da cidade.

O casal Gabriel Sanches Fernandes e Dolores Alamino Fernandes encontrou minas d’água na região e em 1938 começou a engarrafar e comercializar a água, que levaria o nome de Água do Castelo. De acordo com a professora e pesquisadora da área de humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Laurita Fernandes Fassoni, neta do casal, o nome tem origem na Espanha.

“Eles fizeram a fonte com o desenho dos castelos medievais, da memória da minha avó. Ela era da região de Andaluzia, de Granada, região conquistada pelos mouros. Ela lembrou das fortalezas mouras”, explica Fassoni.

Em Bauru, o casal teve sete filhos, que os auxiliavam na comercialização da água. “Meu pai, Miguel Sanches Fernandes, era o mais velho, que ao lado de meu tio José vendiam a água na cidade. Lembro-me inclusive do slogan: ‘Os índios já bebiam água da Fonte do Castelo’. Os índios já viviam aqui”, recorda a pesquisadora.

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