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Aos 12 anos, Internet já é adolescente

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

Além de ser o dia da Confraternização Universal, hoje também se comemora o nascimento simbólico da Internet, pois a rede mundial de informática foi lançada oficialmente no dia 1 de janeiro de 1993. Mesmo sendo ainda adolescente, ela já causa muita polêmica.

De um lado, o Instituto da Cidadania Brasil alerta para o crescimento dos crimes via Internet ou a partir de informações encontradas na rede, e os pais se descabelam para tentar controlar o acesso dos filhos. Por outro lado, um mercado cada vez mais lucrativo se apresenta para quem trabalha no ramo. lan houses, provedores, técnicos em informática, webdesigners - há um vasto número de serviços que surgiram ou têm sua manutenção garantida graças à Internet.

“Não saberia viver sem a Internet. Mesmo tendo nascido quando ela ainda não existia, hoje pago minhas contas graças ao dinheiro que ganho desenvolvendo sites. Acredito que é uma profissão que não vai se esgotar e só tende a crescer”, explica o webdesigner Flávio Hatanda.

Apesar de também ter seu salário atrelado à Internet e ao mundo da informática, o professor Luís Fabrício de Lima Odassi vê um lado bastante negativo propagado através da rede de computadores. “Os alunos querem ficar no MSN, nos bate-papos virtuais e no orkut, e posso afirmar que muitos destes portais de comunicação estão se tornando agências de encontros sexuais”, comenta.

Para a psicóloga Ângela Ferreira Domingues, a Internet proporciona uma descoberta precoce da sexualidade, que pode trazer conseqüências desastrosas no futuro dos jovens. “As relações pessoais e sociais destes jovens acabam sendo tão superficiais como os relacionamentos que eles têm através da Internet”, frisa.

Além disso, Domingues ressalta que o grande volume de informações também contribui para que o jovem absorva os acontecimentos e dados do dia-a-dia de modo superficial. “Crianças e adolescentes não devem ser proibidos de entrar na Internet, mas é preciso que os pais se façam presentes, proporcionando outras formas de prazer ao filho”, diz.

Nascida no mesmo ano em que a Internet surgiu oficialmente, Giovanna Oliveira Bosqueiro não tem seu acesso à Internet limitado pela mãe, a professora Solange Oliveira Bosqueiro, mas garante que sempre foi educada a ter autonomia para seguir pelos bons caminhos. “Uso mais durante o final de semana para conversar com minhas amigas e para fazer trabalhos da escola”, conta Giovanna. Para ilustrar a precocidade com que os jovens são levados ao mundo da informatização, Giovanna lembra que, certa vez, um de seus professores solicitou aos alunos que entregassem um trabalho em disquete.

Para os jovens que não têm responsabilidade para usar a Internet com autonomia, as empresas de informática criaram diversos recursos de segurança, que auxiliam pais e professores a limitar os acessos a sites pornográficos ou de conteúdo indevido para menores de idade. No entanto, Odassi explica que existem diversas maneiras de “enganar” estes sistemas. “Estes recursos funcionam, mas quem sabe navegar na Internet, com certeza, descobrirá meios de burlá-los. Talvez jamais existam recursos 100% seguros. O mais importante é a conscientização moral do jovem. É preciso que os pais eduquem os filhos para que façam as escolhas corretas”, argumenta.

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