Perspectivas 2006

Política: eleição dará o tom em 2006

Da Editoria de Política
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No Poder Legislativo, a mudança ficou em aproximadamente 50%. Portanto, a população deu seu recado nas urnas: “queremos mudanças”. Não é segredo para ninguém que, além das administrações malsucedidas dos últimos 15 anos, a cidade enfrentou macroadversidades neste período, notadamente com o sucateamento definitivo de seu parque ferroviário e um sensível esvaziamento de sua vocação de pólo regional de empresas estatais, determinado pelo enxugamento do Estado. Perdemos regionais importantes como a da Telesp, Banco do Brasil, Cesp, entre outras.

Em duas décadas, a cidade se viu desorientada em termos vocacionais, sem lideranças políticas capazes de responder a esta demanda. O fenômeno das mudanças globais provocou, por outro lado, uma reação que foi espontânea, mas rica, por parte das forças produtivas locais, organizadas em entidades ou não, que procuraram reorientar suas estratégias com base na nova realidade.

Assim Bauru iniciou 2005, reagindo nas urnas e na iniciativa privada. Tanto que começam a ficar nítida as vocações para a prestação de serviços nas áreas de saúde e educação, por exemplo, entre outras que poderiam ser citadas.

O que importa é que Bauru, pela diversidade de sua economia e de sua gente, não ficou refém nem se curvou à estagnação, iniciando uma reação que é palpável hoje.

Passados 12 meses, as avaliações preponderantes podem ser resumidas, no campo político - tema desta página – nos fatos de que o governo Tuga Angerami restabeleceu muito da credibilidade no Poder Executivo (mais por seu histórico pessoal do que por ações efetivadas), iniciou medidas que se pretende saneadoras em relação à pesada e viciada máquina pública e traçou algumas diretrizes que dão pistas sobre o que o governo pretende para os próximos três anos que se iniciam hoje.

Trata-se de uma administração que conseguiu para si a marca de moralizadora, mas que não conseguiu ainda ao menos iniciar a materialização dos projetos prometidos em campanha.

Porém, há descontos a se fazer. O primeiro ano de um governo sempre é de adaptação e de pagamento de dívidas herdadas. Foram quitados R$ 35 milhões de restos a pagar (dívidas de curto prazo), segundo a Secretaria de Finanças. Isso, somado ao encaminhando de outros assuntos que ficaram pendentes de anos anteriores, deu um pouco do fôlego que um governo precisa em seu primeiro ano e aplacou ansiedades e críticas mais contundentes.

Há críticas já manifestadas à falta de medidas de impacto por parte de Tuga, planos que estão em gestação desde os primeiros meses e que ainda não foram efetivados - como a reestruturação administrativa, o fundo para reconstituir o asfalto vencido em pelo menos 80% das ruas e avenidas e pavimentar outras tantas ainda na terra batida, e a ausência de uma meta clara para a saúde pública, para ficar em apenas três das principais demandas municipais.

Perspectiva para 2006

As situações narradas nos parágrafos anteriores compõem um quadro de perspectivas possíveis para o governo municipal neste 2006, ano em que a paciência popular já não será a mesma assim como a tolerância à demora de algumas soluções. Por isso, as expectativas se redobraram.

O governo Tuga teve, até agora, o mérito de mantê-las no plano do possível, cada qual, claro, dentro do relativismo orçamentário da prefeitura, que deverá arrecadar algo em torno de R$ 220 milhões neste ano. Ninguém em sã consciência espera as soluções de todos os problemas da cidade no curto prazo, mas ao menos encaminhamentos efetivos.

Justamente pelo que já falamos: o governo de Tuga tem credibilidade e tempo suficiente para discutir e encontrar soluções. Será preciso que o secretariado e, acima de tudo, o prefeito e seu Gabinete tenham capacidade gerencial para governar com sensibilidade, correção e senso de empreendedorismo diante das terríveis dificuldades que Tuga já sabia, antes da eleição, iria encontrar no Palácio das Cerejeiras.

Merece citação a forma como Tuga Angerami, desprovido de base partidária e sem disposição para formá-la durante seu governo, estabeleceu seu relacionamento com a Câmara Municipal. Na base do diálogo e da negociação direta caso a caso. Há anos não havia um trânsito tão intenso entre a Praça das Cerejeiras e a Praça Dom Pedro II, em ambos os sentidos de direção. Deu relativamente certo.

Sabedora das expectativas da população de paz política, de independência, mas de harmonia entre os poderes em prol da cidade, os vereadores se posicionaram sem sectarismo, mesmo a oposição, que soube não ser sistemática e contribuiu sensivelmente para o debate público. De todos os projetos enviados ao Legislativo, a prefeitura aprovou um terço, outro terço foi rejeitado e a terceira parte está em tramitação nas comissões temáticas da Casa.

Com o deputado Pedro Tobias (PSDB) e outros menos acionados, o relacionamento foi exemplar, por parte de ambos. Resultou em bons frutos. Deve continuar assim.

Mas este ano é eleitoral, perigoso portanto. Para manter sua estratégia de governar com base no entendimento e na sinergia político-partidária, o prefeito terá de se esforçar um pouco mais. Ele sabe dos desafios e, por isso, já avisou que apoiará os candidatos bauruenses que tiverem chances reais de se eleger, independente de partidos. Pode até apoiar a reeleição de Pedro Tobias, seu “adversário” político.

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