Perspectivas 2006

Geral: é possível viver melhor em Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Vamos a uma Bauru melhor em 2006. Começamos 2005 com as ruas como queijo suíço. Vieram operações de tapa-buracos, não na abrangência e qualidade que a população esperava. Na minha rua, existem remendos recém-feitos no asfalto que tornaram a via uma colcha de retalhos cheia de saliências, prestes a rasgar novamente. Temos de exigir qualidade no serviço, o que é obrigação do poder público.

É verdade que asfalto novo, como obras iniciadas na gestão Nilson Costa, como a pavimentação no Parque Jaraguá e Pousada da Esperança, foi concluído. Mas precisamos de muito mais. Bauru tem 350 quilômetros de vias para serem pavimentadas, o que custaria R$ 140 milhões, mais da metade do orçamento do município para 2006, que é de R$ 215 milhões. E mais de 90% do nosso asfalto está vencido. Mesmo que o Fundo do Asfalto seja aprovado, já sabemos que levantamentos preliminares dão conta que são poucos os imóveis da prefeitura que poderiam ser vendidos para custear a pavimentação. Os bloquetes são uma alternativa testada e aprovada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com a vantagem de permitir a infiltração da água da chuva no solo, mas trata-se de um pavimento para vias de baixo fluxo de veículos.

É preciso encontrar alternativas. Talvez um conjunto delas, o que inclui o bloquete, o asfalto pago pelos cofres municipais, pelos donos dos imóveis e novas tecnologias. Não poderíamos deixar de mencionar a famigerada ponte Ayrton Senna, que tanta falta faz para a travessia entre Mary Dota e Distrito Industrial 1; a ampliação do projeto de revitalização da área central; a manutenção adequada das praças já existentes e a instalação de pelo menos um décimo das mais de 200 áreas verdes que ainda não passam de terrenos baldios.

Com a lista das espécies de árvores nativas da região adequadas ao paisagismo urbano elaborada em 2005, temos de avançar na arborização em 2006 e melhorarmos o nosso conforto térmico. O céu quase sempre azul de Bauru, com temperatura que chega na casa dos 30 graus em boa parte do ano, exige mais verde nas ruas.

Há dez anos acompanho, como jornalista, o projeto de tratamento de esgoto de Bauru. Já virou uma novela que precisa chegar a um final. Estamos engatilhados à medida que a área para construção da estação de tratamento está desapropriada e avançamos na instalação de interceptores. Mas ainda falta muito. Falta dinheiro! A obra está estimada em R$ 70 milhões. Se há dez anos tivéssemos implantado um fundo formado por dinheiro público e da taxa cobrada da população, provavelmente estaríamos mais perto de livrar nossos rios do esgoto. Agora, em 2006, é preciso correr atrás do prejuízo.

Por outro lado, temos a celebrar. Há quatro anos Bauru sobrevive ao período das chuvas de verão apenas com arranhões. Fruto do acaso da natureza ou do impacto de pequenas obras e as “piscininhas”, que começam a pipocar nos novos loteamentos, é fato que a avenida Nações Unidas não tem mais inundado como antes. Quem lembra dos meados da década de 90 com certeza ainda tem registrado na memória uma Nações Unidas destruída após as chuvas de dezembro, mais parecendo cenário de guerra.

Ainda é pouco porque há tantas e tantas famílias morando em áreas de risco, como no Parque Jaraguá, em casas que constantemente são invadidas pela enxurrada. É o momento para iniciarmos a remoção desta população e, paralelamente, buscarmos verbas estaduais e federais, não alcançadas em 2005, para melhorar a infra-estrutura de bolsões de pobreza como Ferradura Mirim, Jardim Vitória e Jardim Ivone.

O avanço no setor em 2005 foi a implantação dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), cujo objetivo é ser a porta de entrada para atendimentos e encaminhamentos na área social. O que se espera é que em 2006 este modelo comece a produzir frutos, que consiga reinserir os usuários no mercado de trabalho, quebrando o círculo de assistencialismo e miserabilidade. Aos usuários, na falta de vagas de emprego, valem soluções caseiras como o artesanato e a profissionalização dos que atuam na coleta de materiais recicláveis.

Afinal, os catadores de recicláveis, que tanto bem fazem ao meio ambiente, precisam de ganho justo e dignidade. A população pode - e deve - colaborar separando materiais reaproveitáveis, que hoje estão indo para o lixo. E a saúde? 2005 ficará na memória do setor como o ano que Bauru perdeu dois prontos-socorros – Mary Dota e Ipiranga. É verdade que as duas unidades já não funcionavam como a classificação do atendimento requeria. Mas a nossa expectativa, natural a quem deseja uma cidade melhor, é que os problemas fossem resolvidos e não que os prontos-socorros fossem rebaixados a unidades básicas de atendimento.

Como a primeira gestão Tuga Angerami, que ficou marcada pela implantação de um tema de atendimento de saúde descentralizado através das unidades básicas instaladas nos bairros, que esta também dê a virada no setor a partir deste ano. E tem que começar pelo prometido, com a contratação de médicos e aparelhamento das unidades básicas para que o cidadão não precise deslocar-se ao Pronto-Socorro Central por causa de uma simples dor de garganta.

Mas a população também tem muito a aprender... E a praticar. Se continuarmos jogando lixo nos terrenos baldios, teremos que conviver com doenças como a leishmaniose, que mata animais e humanos. Assim como temos de ser mais tolerantes com nossos semelhantes para evitar cenas de violência infelizmente ainda tão comuns; cumprir com nossas obrigações, o que vai desde a dar seta no trânsito até a ensinar aos outros aquilo que sabemos. Enfim, para 2006 fica o convite a todos os bauruenses e aqueles que, como eu, adotaram esta terra, que analisem a cidade sob o foco de sua área de atuação, de conhecimento, e ajude a transformá-la!

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