Economia & Negócios

Disciplina é segredo para contas equilibradas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Equilibrar as contas domésticas é tarefa tão difícil quanto a realização dos 12 trabalhos do mitológico Hércules. Ainda mais para quem não costuma controlar-se perante os estímulos consumistas da sociedade e tem o hábito de gastar desenfreadamente e acumular dívidas que crescem como uma bola de neve. Mas como Ano Novo também é sinônimo de vida nova, um pouco de disciplina pode transformar essa situação para melhor em 2006 e fazer as pessoas se livrarem das “armadilhas” das dívidas, manter o orçamento equilibrado e, acredite, poupar dinheiro.

É o que garante o economista e consultor financeiro bauruense Fernando José Martha de Pinho. “Ter dinheiro é questão de controle e disciplina”, enfatiza. Mas como conseguir essa disciplina para controlar os gastos, quitar as dívidas, retomar o controle financeiro e, de quebra, ainda conseguir a proeza de criar reservas financeiras? Pinho explica que o primeiro passo para cumprir essas missões não é novo nem envolve fórmulas mágicas, mas é eficiente. “Basta colocar no papel todas as suas receitas líqüidas e despesas, fazendo com que as receitas cubram os gastos obrigatórios que não há como fugir, como IPVA, aluguel, matrículas escolares, seguro do carro, plano de saúde e manutenção da casa. Tudo deve ser organizado como se fosse o projeto de uma casa. É algo muito simples, mas negligenciado”, salienta.

Mas se você é daqueles que não gosta de ficar diminuindo seus gastos, a alternativa é uma só, conforme o economista. “A pessoa terá, obrigatoriamente, de aumentar suas receitas e não o endividamento. Procurar fontes de renda extras é algo que muita gente está fazendo. O grande problema é que muitas pessoas querem forçosamente manter o padrão de vida à custa de cheque especial e cartões de crédito. A renda cai, as despesas não são cortadas, e aí, arma-se o desastre. É uma bola de neve da qual não se sai nunca mais sem controle e disciplina”, enfatiza Pinho.

Para o consultor, ignorar a providência de poupar a fim de estabelecer reservas financeiras em um País de economia instável como o Brasil é um ato de irresponsabilidade. “Uma boa receita para isso é começar, já a partir de hoje, a guardar pelo menos 10% do salário. Aplicando esses recursos nos fundos de renda fixa, que acompanham a subida e descida das taxas de juros, ao chegar no final do ano você terá guardado praticamente um 13.º salário. Isso é algo perfeitamente possível fazer, pois conheço pessoas, desde empregadas domésticas até as mais aquinhoadas, que têm essa disciplina. O lado racional tem de prevalecer nessas horas, pois é com a razão que vou pagar as contas e não com as roupas compradas desnecessariamente que estão encostadas no fundo da gaveta”, frisa.

Pinho também alerta para os perigos do consumismo com objetivos meramente voltados ao status social. “As pessoas precisam conscientizar-se de que não podem acompanhar o consumo de outras com maior poder aquisitivo. É a mesma coisa de um cidadão comum querer adquirir as mesmas coisas que o Antônio Ermírio de Moraes, que tem caixa para bancar e nem por isso faz loucuras. Que status é esse de ter algo que não posso pagar? Estou enganando quem? Somente a mim mesmo”, adverte o economista. E completa:

“Não existe uma fórmula mágica nem uma bola de cristal que sirva para todas as pessoas. Cada um tem de perguntar a si mesmo, em um exercício de reflexão, o que é importante para sua vida e se os benefícios momentâneos do que estarei adquirindo compensam as possíveis dores de cabeça que vou arrastar durante o ano ou o resto da vida com cobradores na porta, nome sujo na praça ou ações no Fórum? É lógico que não vale a pena, pois é uma alegria ilusória.”

Segundo o economista, tais problemas poderiam ser evitados se o País seguisse o exemplo de nações desenvolvidas, que possuem disciplinas voltadas ao controle financeiro em suas grades curriculares. “Em países adiantados, como Estados Unidos e os europeus, ensinar como trabalhar com o dinheiro e saber como tirar proveito dele positivamente faz parte do currículo básico de crianças e adolescentes”, conclui.

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