Comercializado atualmente por cerca de R$ 13,50, o saco de 50 quilos de cimento, material básico para a construção civil, teve queda de até 35% para o consumidor, que em novembro de 2004 chegou a pagar R$ 21,00 pelo produto. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), a queda foi motivada pelo desaquecimento da construção civil, que está mais devagar desde 1999. Apesar da baixa, o custo final das obras não se altera. De acordo com o SNIC, a participação do cimento no valor final da construção é relativamente baixo.
As lojas de material de construção de Bauru apontam que a queda no valor do saco de cimento vem desde o final de 2004. Em um dos estabelecimentos consultados pelo JC, a informação é de que o preço vem caindo desde novembro, mas a partir de março de 2005 a redução ficou mais significativa. Nesta loja, dependendo da forma de pagamento e da quantidade de cimento comprada, o preço pode cair ainda mais para o consumidor.
Júlio César Gimenes, gerente de uma loja no Parque Vista Alegre, lembra que em abril de 2005, o saco de 50 quilos do material era vendido por cerca de R$ 18,00. “O preço vem caindo gradativamente e já faz alguns meses que está estabilizado”, conta.
Para quem compra o material em grande quantidade, o cimento sai ainda mais em conta. No atacado, o saco de 50 quilos é comercializado em torno de R$ 10,00. Uma grande fabricante do produto mantém uma distribuidora na cidade, o que torna o acesso ainda mais fácil. Mas apesar do preço baixo, tanto proprietários de pequenas obras quanto as construtoras não fizeram estoque do produto. O prazo de validade do cimento expira em 90 dias, o que inviabiliza o seu armazenamento.
Apesar do SNIC afirmar que o valor final das obras não apresentou mudanças significativas, quem está com reforma ou construção em andamento sente no bolso a diferença. Valdemir Ferraz, responsável pela manutenção de uma rede de academias na cidade, atualmente coordena a ampliação de uma unidade e a construção de um novo empreendimento da rede. As obras da nova academia começaram quando o saco do cimento custava cerca de R$ 20,50.
Na reforma da unidade da avenida Rodrigues Alves, ele conta que até agora já foram utilizados 30 sacos do material. Se fosse comprar pelo valor pago há um ano, teria gasto mais de R$ 600,00 só com o cimento. “A economia é significativa”, calcula.
O SNIC explica que o cimento é uma commodity. Quem define seu preço é o mercado. Desde 1999, quando a indústria brasileira do cimento atendeu uma demanda recorde de mais de 40 milhões de toneladas do produto, o mercado vem registrando quedas consecutivas atingindo, em 2004, o nível de 34 milhões de toneladas consumidas. Os dados preliminares para o fechamento de 2005 apontam uma queda para 30 milhões.
Segundo informou o sindicato, a expectativa de uma rápida reversão deste quadro - que ainda não ocorreu - levou ao aumento da oferta do produto. O crescimento da oferta e a diminuição de demanda levaram ao acirramento da competição entre as empresas e, conseqüentemente, queda dos preços.