Evangélicos já são a maioria - cerca de 65% - dos religiosos que prestam conforto espiritual no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo, contrastando com a situação das demais instituições de saúde ligadas à Secretaria do Estado da Saúde. Estudo divulgado ontem, feito em 60 hospitais estaduais, aponta que os católicos ainda são maioria, mas os evangélicos crescem em ritmo acelerado e disputam os pacientes.
Por conta do aumento dos evangélicos, o HE inaugurou, há quase um ano, um espaço ecumênico sem cruz nem imagem para contemplar todas os segmentos. A partir de amanhã, o espaço estará aberto para cultos. Às quartas-feiras, às 13h, serão celebrados os encontros evangélicos. Nas sextas-feiras serão celebradas missas católicas, no mesmo horário.
O HE, inclusive, já tem cadastro dos religiosos que atuam na unidade de saúde. A medida também visa cumprir a lei 9.965, de 1998, que determina que os representantes religiosos devem estar cadastrados nos hospitais para poderem atuar. De acordo com a assessoria de imprensa do HE, além de evangélicos e católicos, também estão cadastrados para visitar os pacientes espíritas e representantes das filosofias Rosa Cruz e Seicho-No-Iê.
Já os três hospitais administrados pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel - só permitem a entrada de religiosos, independente da doutrina, se o paciente ou a família dele solicitar, segundo Reinaldo Rocha, superintendente da AHB. Por outro lado, católicos e espíritas atuam nas três unidades hospitalares há muitos anos, mas como voluntários, sem manifestação de orientação espiritual.
Capacitação
O pastor Oséas de Almeida Júnior, diretor comercial do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru e Região (Conpev), acredita que a alta representatividade no Hospital Estadual é devido ao trabalho de capacitação de fiéis realizados durante o ano. “Desde então, procuramos manter essa qualidade, a postura e a ética ao visitar os pacientes”, explica o pastor.
Sobre os números referentes ao Hospital Estadual, o pastor acredita que eles representam esse trabalho. “Eu creio que hoje a gente esteja colhendo os frutos desse empenho”, avalia. E avisa que pretende estreitar os laços com a AHB neste ano. “Hoje, o que temos nessa entidade, são iniciativas individuais”, pontua. Fazem parte do Conpev, cerca de 40 das quase 400 igrejas evangélicas de Bauru.