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Dois morrem em queda de bimotor

Por Afra Balazina | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Duas pessoas morreram ontem pela manhã após a queda de um avião bimotor na serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo. Havia um tripulante e três passageiros na aeronave. Uma criança e um adulto foram socorridos e não correm risco de morte. O avião, prefixo PTWRT, havia partido às 6h12 de Campo Grande (MS), horário de Brasília, com destino ao Campo de Marte, em São Paulo. Pouco antes da hora do pouso, por volta das 9h, o bimotor caiu.

A aeronave pertencia ao empresário João Roberto Baird, dono da Intel Informática. Os corpos dos mortos, o piloto Rodinei Ferreira de Almeida, 40 anos, e Walterlino Rezende de Oliveira, identificado como funcionário da Copagás, estavam carbonizados. A parte da frente do avião pegou fogo, possivelmente após a queda. Os sobreviventes, Mateus de Oliveira, 10 anos, e o empresário Antonio Celso Cortez, 50 anos, caminharam cerca de duas horas antes de serem encontrados por um morador de Perus e seu filho.

“Ouvi gritos e achei que alguém tivesse caído num poço. Peguei uma corda, um facão e entrei na mata. Meu filho me ajudou e encontramos os dois. O menino estava muito assustado e o senhor, bastante machucado. Procurei, mas não consegui achar o avião naquele momento”, conta Anderson Alves, 35 anos. Segundo ele, Mateus disse que seu pai não havia conseguido sair do bimotor e pediu que o salvassem.

O garoto deve ficar em observação por mais 24 horas no Hospital Geral de Taipas. “Ele está ótimo do ponto de vista médico. Psicologicamente, ficou bastante abalado”, disse a diretora clínica do hospital, Nilma Rodrigues Fernandes. O boletim médico informou que Cortez teve queimaduras em 32% do tórax e do rosto. Ele deverá ficar internado até hoje em observação médica na Santa Casa.

De acordo com o tenente-coronel aviador Carlos Henrique Nogueira, do Serviço Regional de Aviação Civil, até o início da noite de ontem ainda não era possível definir a causa do acidente. “Uma equipe esteve no local para coletar informações e fazer um levantamento inicial. Uma comissão investigará o que pode ter causado a queda”, diz o oficial.

Não há um prazo, segundo ele, para o laudo ficar pronto. “Há várias possibilidades, e ainda é prematuro fazer qualquer avaliação. Por se tratar de uma região montanhosa, é preciso ter boas condições visuais para fazer uma navegação segura”, diz. Acesso difícil Com a chuva de ontem, o acesso ao local da queda do avião ficou ainda mais difícil. O último acidente que ocorreu na mesma região, em Perus, foi em setembro de 2002. Na ocasião, morreram três pessoas - um pai e seus dois filhos.

O piloto sobreviveu à queda do avião de pequeno porte. Muitos moradores de Perus, apesar da chuva, entraram na mata para ver destroços da aeronave. “Ainda tem pedaços do avião em cima da árvore. Achei um celular no chão e até receitas médicas no local, tudo meio queimado”, disse Ramon Paim Araújo, 19 anos.

O porteiro Jurandir Cesário de Lima, 37 anos, ouviu um barulho “de tiro” pela manhã, mas não imaginou que pudesse ser um avião caindo. “Achei tudo que vi muito triste. É inacreditável que duas pessoas tenham sobrevivido. O menino e o homem que escaparam nasceram de novo”, diz.

Já Everton Marcelo de Souza, 17 anos, que também mora perto do local do acidente, viu várias fotos de uma casa entre os pertences das vítimas e cupons de bancos. O morador que encontrou as vítimas estava “feliz por ter ajudado” os dois sobreviventes, mas lamentou a morte dos demais. “Talvez, se tivéssemos chegado antes, eles teriam chance de viver.”

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