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JK sem polêmica

Por Juliana Alencar | Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

Estréia hoje, após “Belíssima”, “JK”, superprodução da Globo que recontará a história de Juscelino Kubitschek (1902-1976). Ao custo de R$ 450 mil por capítulo e com um elenco de quase 200 personagens, a minissérie narrará do nascimento do ex-presidente, em Diamantina (MG), até sua morte, ocorrida em um acidente de carro, na via Dutra.

Um dos políticos mais populares do país (foi o responsável pelo processo desenvolvimentista, sintetizado no slogan “50 anos em cinco”), Juscelino terá sua vida pessoal esmiuçada pela primeira vez na TV. “Não será uma minissérie chapa-branca”, avisa Maria Adelaide Amaral, que assina com Alcides Nogueira a autoria da telebiografia, autorizada pela família do político. “JK” será dividida em três fases. Na primeira, que dura apenas o primeiro capítulo, serão retratados seu nascimento e a infância. A segunda mostra, em 15 episódios, a chegada do rapaz (Wagner Moura) a Belo Horizonte. Lá, cursa medicina, conhece sua mulher, Sarah (Deborah Falabella), e começa a carreira política. Já a terceira fase da trama apresenta a trajetória do político até a Presidência, a vida no exílio e a morte. José Wilker e Marília Pêra interpretam o casal Kubitschek neste período. É nessa fase que se concentram os casos extra-conjungais de Juscelino e as ferrenhas disputas com Carlos Lacerda (José de Abreu), seu inimigo político na época.

“A vida de JK é muito rica, em todos os aspectos. É basicamente uma saga - e isso, por si só, renderia uma minissérie. Mas decidimos retratar também o momento histórico”, diz Maria Adelaide Amaral, que lançou mão de personagens e histórias fictícias para conseguir tal resultado. É daí que se justificam os dois núcleos paralelos de “JK” - o primeiro, encabeçado pela sofrida Salomé (Deborah Evelyn), que teve sua vida influenciada pelos ideais de JK, e o segundo, pela batalhadora Lilian Gonçalves (Mariana Ximenes), filha da cozinheira do ex-presidente, que ajudará a contar a história dos operários que construíram Brasília - e os mais de 30 personagens que não existiram na vida real mas que terão papéis fundamentais na trama.

Sem polêmicas

Ao menos dois dos aspectos mais controversos da vida de Juscelino Kubitschek não serão retratados na minissérie tais como ocorreram: a conturbada vida amorosa do político mineiro será adaptada e o acidente de automóvel que o levou à morte vai ser excluído da trama. No primeiro caso, todas as amantes que Juscelino teve durante sua vida serão sintetizadas na personagem fictícia Marisa (Letícia Sabatella). Bastante apaixonada - Marisa chega até a colecionar recortes de jornais e revistas do amado -, ela viverá, ao lado do ex-presidente, uma bela história de amor marcada por encontros e desencontros.

Biógrafos do político contam que Juscelino, porém, foi bem menos “romântico”. O presidente “pé-de-valsa” era um mulherengo convicto e viveu apenas relações fortuitas com suas amantes. O único caso mais longo de JK foi com a socialite carioca Maria Lúcia Pedroso, por quem realmente era apaixonado. Manteve, inclusive, um apartamento na praia do Leme, no Rio de Janeiro, onde se encontrava secretamente com a moça, que, como ele, era casada. Era nesse endereço também que, segundo amigos próximos, ele guardava as reveladoras cartas de amor - que, até hoje, não vieram a público. “Em parte, quis preservar a imagem de Maria Lucia”, explica Maria Adelaide Amaral, que a entrevistou durante a pesquisa histórica que antecedeu a criação da minissérie, iniciada em maio de 2004.

Quanto ao episódio da morte do estadista, a decisão de não abordá-la deveu-se, segundo a autora, à falta de provas que comprovassem tanto a tese de que a morte de JK foi acidental quanto aquela que admite que ele foi, na verdade, vítima de um assassinato planejado pelos militares. “Dada a polêmica (sobre a morte), optamos por não mostrar o acidente desde que a minissérie foi decidida. Vamos, porém, mostrar o enterro, que foi o primeiro e o mais importante ato público realizado no período mais negro da ditadura militar”, adianta a autora.

Outros episódios e “causos” da vida de Juscelino Kubitschek ganharão elementos folhetinescos na transposição para a minissérie. Segundo Alcides Nogueira, a medida é necessária já que trata-se, antes de tudo, de uma obra de ficção - embora tenha utilizado a consultoria de um amigo de JK, o ex-ministro Ronaldo Costa Couto. “Minissérie não é um documentário. O material histórico pesquisado é o ponto de partida. Ele dá suporte, mas não engessa. Como autores de ficção, temos que nos preocupar em emocionar o público”, diz.

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Ex-presidente esteve em Bauru em 61

Na única vez em que Juscelino Kubitschek esteve em Bauru, em razão de uma homenagem, não chegou nem a dormir na cidade. Foi em 6 de janeiro de 1961, segundo o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina. O então ex-presidente, já em campanha, veio acompanhado de Ulysses Guimarães, na época deputado federal, pois havia sido convidado pela unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) para ser paraninfo da turma de contabilidade de 1960.

O autor do convite foi o jornalista Roberto Rufino. “Vinte dias antes, sua assessoria ligou dizendo que ele não viria, pois teria um compromisso no Espírito Santo. Tínhamos preparado tudo para ele receber o título de Cidadão Bauruense e quando ele ficou sabendo da homenagem, resolveu mandar um representante no outro compromisso e confirmou que viria a Bauru”, lembra Rufino.

O primeiro compromisso do carismático mineiro foi visitar o líder político e vereador Aimoré de Oliveira Pinheiro. “Todas as pessoas foram para o aeroporto e eu fiquei na casa do vereador. Quando ele chegou, entre 12h e 13h, entrou na frente, sempre ia na frente dos outros, e eu fui o primeiro a apertar a mão do Juscelino”, relembra Pelegrina.

O historiador conta que JK foi homenageado pela Câmara Municipal, em uma cerimônia rápida, quando recebeu o título de Cidadão Bauruense. Em seguida, participou de um almoço com políticos da região no Hotel Cidade de Bauru. “Tinha muita gente, inclusive muitos penetras”, diverte-se Pelegrina.

Posteriormente, a comitiva que o acompanhava se dirigiu para o antigo Cine Bauru, onde foi realizada a formatura da turma de contabilidade. “Ele tirou fotos com os alunos, foi muito atencioso”, aponta Rufino.

Depois do evento, Kubitschek ainda desfilou pelas ruas de Bauru, em carro aberto. “Ele era um presidente diferente dos outros. Tanto que se destacava, como em um baile do qual participou nos Estados Unidos. Ele era o único presidente descontraído, que dançava muito bem, e era elogiado por ser assim”, analisa Pelegrina.

No final dos anos 50, foi inaugurado o viaduto Juscelino Kubitschek, ligando o Centro à Bela Vista, homenagem do então prefeito Nicola Avallone Júnior ao presidente da República.

Diego Molina

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