Bairros

Bauru é a 1ª no ranking de leishmaniose no Estado de SP

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru desbancou Araçatuba e fechou o ano de 2005 na primeira colocação no ranking de casos de leishmaniose no Estado de São Paulo. Ao todo, 25 pessoas foram infectadas pela doença no ano passado, sendo que o último registro foi confirmado ontem pelo Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo. Um homem de 72 anos, morador do Jardim Ana Lúcia, entrou para o grupo de vítimas, que chegou a 29 em 2004.

Araçatuba, neste mesmo ano, contabilizou 37 notificações, com duas mortes. Até então, era o município paulista com a maior incidência de registros. A soma, no entanto, caiu para 12 em 2005, sem registro de óbitos. Já em Bauru, o número de vítimas fatais vem numa crescente. Saltou de uma em 2003 para três em 2004 e quatro no ano passado.

Ainda que os números fornecidos pela assessoria de imprensa da administração municipal não batem com os da Divisão de Zoonoses da Secretaria do Estado da Saúde. De acordo com o órgão estadual, cinco pessoas morrem em função da doença em 2005. A ameaça à vida é justamente o quesito que deixa em alerta os bauruenses.

Todos os munícipes consultados pela reportagem foram unânimes ao demonstrar preocupação com a leishmaniose. Alegam adotar iniciativas para impedir que o problema avance na cidade. É o caso da dona de casa Silmara Silva Lima, 28 anos. Mãe de sete filhos com idade entre 9 meses e 9 anos, ela é moradora do Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), bairro recordista em 2005 na quantidade de vítimas.

“Fico preocupada com as crianças ainda mais porque aqui em baixo tem uma erosão, o pessoal joga lixo, mas ninguém limpa. Já vieram aqui e não encontraram nada. Nós temos dois cachorros”, conta. Já o senhor de 72 anos que receberá alta hoje do Hospital Estadual, onde recebe tratamento, nem cão tem. Mas conforme o JC apurou, uma casa abandonada próxima à dele pode ter servido como criadouro do mosquito-palha, que o infectou.

Controle

Procurado, o paciente preferiu não conceder entrevista. Para impedir que outras pessoas integrem a mesma relação de vítimas, na qual ele foi incluído ontem, a Secretaria do Estado da Saúde continuará desenvolvendo ações programáticas para controlar a doença. O trabalho indicará, por exemplo, quais alterações ambientais foram promovidas na região de Bauru que facilitaram o retorno da moléstia.

Até 2002, a cidade não tinha notificações de leishmaniose visceral, doença que acomete principalmente o baço e o fígado. “O trabalho sempre é feito em parceria com o município. A ação é sempre dele, suportada e apoiada no Estado”, informa Cilmara Polido Garcia, diretora técnica do centro de vigilância epidemiológica da Secretaria do Estado da Saúde.

Na opinião dela, o número de casos deve continuar caindo em 2006, desde que haja diagnóstico precoce, controle de mosquito-palha e de casos caninos.

É o que espera – e que neste sentido trabalha - a dona de casa Ana Maria Lellis Krupelis, mãe de um menino que morreu em conseqüência da doença no ano passado. Ela imprimiu derca de 2,2 mil panfletos com informações sobre prevenção e diagnóstico da leishmaniose que foram distribuídos no Calçadão em dezembro.

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