Internacional

Rússia acusa novamente Ucrânia de roubar gás natural; país nega

Folhapress
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Kiev - Representantes do governo ucraniano chegaram ontem depois das 23h locais a Moscou e reiniciaram, na sede da estatal do gás Gazprom, negociações sobre o preço pelo qual o combustível poderia voltar a ser importado por aquele país. O encontro sinaliza a possibilidade de um desfecho próximo para a crise.

Gazprom anunciara pela manhã que o gás natural de jazidas russas voltou ontem a ser distribuído normalmente aos países da Europa, que são abastecidos pelo gasoduto que atravessa a Ucrânia. O corte do fornecimento de gás natural à Ucrânia gerou no domingo uma crise energética entre os clientes europeus da Rússia. Países como a Polônia, Áustria, Sérvia e Itália receberam até menos 50% do combustível exportado por meio do gasoduto.

O alívio quanto à normalidade do abastecimento foi acompanhado da consciência sobre a vulnerabilidade da Europa em ocasiões como a atual, em que o presidente russo, Vladimir Putin, não hesitou em desabastecer outros clientes para pressionar a vizinha Ucrânia. A Gazprom mantém a versão de que a pressão do gasoduto caiu porque a estatal ucraniana estava retirando ilegalmente o combustível que transitava por seu território. Mas a Ucrânia continua a negar que tenha praticado o furto de combustível e pediu que técnicos da União Européia vistoriassem suas instalações.

Os ucranianos afirmam também que retiraram do gasoduto apenas o combustível que compram do Turcomenistão, e que transita pela Rússia antes de entrar na Ucrânia pelo gasoduto.

“A Ucrânia está sendo punida por sua decisão de se tornar um país democrático”, disse o jornal checo “Lidove Noviny”, que também lembrou o fato de o país ter pela primeira vez um governo que não é submisso a Moscou.

O porta-voz da Comissão Européia, Johannes Laitenberger, disse que “não há crise de energia” entre os países membros. Mas o comissário europeu para questões energéticas, Andris Piebalgs, indiretamente criticou o governo russo por ter mergulhado o continente numa situação de insegurança. Disse que os países membros devem coordenar seus planos para uma futura crise.

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