Tel Aviv - O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, estava sendo submetido à meia-noite de ontem (20h em Brasília) a uma cirurgia para conter uma hemorragia cerebral. Ele sofreu um segundo acidente vascular cerebral em menos de um mês e foi transportado a um hospital de Jerusalém, onde o médico Shlomo Mor Yosef o anestesiou para exames e o fez respirar com o auxílio de aparelhos.
O canal 2 da TV israelense disse que o premiê de 77 anos - ele fará 78 em fevereiro - está com a parte inferior do corpo paralisada. A enfermidade lança uma incógnita quanto ao futuro imediato da política israelense e do processo de paz no Oriente Médio. Não se sabe se ele poderá retomar suas funções.
O vice-primeiro-ministro Ehud Olmert, segundo a versão eletrônica do jornal “Haaretz”, já assumiu o governo. Sharon deixou o Likud e criou um partido centrista, o Kadima, favorito, segundo pesquisas, nas eleições legislativas antecipadas de 28 de março. Se as vencer, Sharon iniciará seu terceiro mandato como primeiro-ministro israelense.
Ele foi transportado à noite em emergência ao hospital da Universidade de Hadassah, em Jerusalém, após se queixar de dores no peito (veja quadro). Sharon sofrera um derrame em 18 de dezembro. Ele chegou de ambulância, foi colocado numa maca e levado à UTI. Estava consciente e em companhia de seu médico particular e de seus filhos, Gilad e Omri.
Ambos estavam com ele no rancho Sycamore, no deserto de Neguev, quando ele teve a indisposição. Segundo o Canal 10 de televisão, o próprio premiê pediu que fosse hospitalizado. Aparentava tranqüilidade e falava ao telefone celular ao iniciar o trajeto de 60 minutos até o hospital.
O mal-estar ocorreu depois das 21h e foi imediatamente anunciado na mídia. Sharon deveria ser internado hoje no mesmo hospital, para se submeter a um cateterismo que corrigiria uma disfunção cardíaca congênita, considerada pelos médicos a possível causa do que os médicos chamaram de “pequeno derrame” de dezembro.
O plano inicial era que ele permaneceria internado por 24 horas e retomaria suas atividades normais a partir do fim de semana.
Sharon teve um dia tenso em razão de reportagem divulgada na véspera por uma emissora de TV, em que a polícia anunciava ter recolhido provas de que ele próprio e seus familiares haviam recebido, em 1999, US$ 3 milhões de um empresário austríaco. O dinheiro teria sido para a campanha primária em que Sharon disputou a liderança do Likud, partido ao qual pertenceu até novembro último. Foi na época o primeiro passo para vencer as legislativas e iniciar seu primeiro mandato como chefe de governo.
Dirigentes da oposição pediram que um inquérito judicial fosse efetuado o mais rapidamente possível, para estar concluído antes de 28 de março, data das eleições legislativas antecipadas, na qual Sharon é visto como provável vitorioso pelas pesquisas.
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A doença
O que aconteceu
O vazamento de sangue, geralmente causado pelo entupimento de artérias ou veias, causa danos no tecido cerebral e interrupção da oxigenação de regiões do cérebro. A hemorragia no cérebro de Ariel Sharon foi considerada grave.
O socorro
O líder israelense foi levado consciente ao hospital; há relatos de que sofria paralisia dos membros inferiores, um sintoma de derrame. Sharon foi imediatamente submetido a cirurgia.
Problemas recentes
• Derrame - No dia 18 de dezembro, Sharon sofre derrame considerado "moderado" e recebe alta no dia seguinte
• Coração - Devido a um problema cardíaco congênito, Sharon tinha um cateterismo marcado para hoje