Nascido em Três Lagoas, interior de Mato Grosso do Sul, em 1962, José Luiz Barbosa ficou conhecido como Zequinha Barbosa quando corria por sanduíches na cidade paulista de Guarulhos. Aos 21 anos de idade já ganhava pela primeira vez o Troféu Brasil de Atletismo. Depois de disputar quatro olimpíadas, Zequinha Barbosa resolveu encerrar a careira em 2000. Há cinco anos parado, agora ele anuncia sua volta às pitas.
Em visita ontem ao JC, o atleta falou da capacidade esportiva brasileira, dos problemas com a Justiça e de seu futuro no atletismo. Em 2003 Zequinha resolveu que voltaria a competir como fundista em provas de 800 metros, sua especialidade. O atleta, que vem se preparando há 21 meses, está com 44 anos e aposta que ainda pode conquistar bons resultados.
“Estou me preparando há algum tempo. Em 2005 comecei a fazer o treinamento de base visando o Pan-Americano. Não posso voltar bruscamente, por isso tenho treinado bastante. Minha primeira competição está prevista para o final de março”, afirmou.
Em 2003, Zequinha teve o nome envolvido na CPI da Exploração Sexual, no Senado, sob a acusação de abuso sexual contra menores. Mas foi absolvido. Segundo o atleta, a adversidade o ajudou a tomar a decisão de voltar suas atenções ao esporte. “Tenho minha consciência tranqüila, mas isso tudo me fez refletir muito. E é uma das principais razões que me fez voltar ao atletismo.”
Sobre a perspectiva da atuação brasileira nos próximos Jogos Olímpicos ele é enfático. “O Brasil ainda não tem o espírito olímpico como tem na Europa e Estados Unidos. Mas o Comitê Olímpico Brasileiro vem fazendo um bom trabalho e pode competir com o Canadá pela terceira posição na América. Porém, acho que ainda é preciso que seja feito um alicerce em todas as modalidades esportivas para que o Brasil se fortaleça e consiga bons resultados no futuro.”
Zequinha lembrou que, nos anos 70, Bauru tinha uma tradicional equipe de atletismo. “O Cabo Alcides é uma pessoa que trabalhou muito com o atletismo em Bauru. Hoje, acho que a Secretaria de Esportes da cidade poderia fazer um trabalho específico com esportes olímpicos.”
O atleta executava um trabalho social que depois decidiu encerrá-lo após o incidente com a Justiça. O Instituto Zequinha Barbosa, através do esporte e de parcerias com universidades, realizava um trabalho educacional com crianças carentes.
“Com os problemas que tive, eu resolvi parar com o projeto. Mas em 2005 comecei a realizar um novo projeto com o pessoal carente da minha cidade, Três Lagoas. Futuramente pretendo expandir esse trabalho para a cidade de São Paulo”, ressaltou.
Zequinha hoje tem um ídolo. “Daiane dos Santos é a primeira ginasta negra de destaque mundial. Atualmente, a ginástica olímpica ganhou muitos adeptos devido ao sucesso dela”, afirmou. Ele também é supersticioso. Faz um curioso ritual antes das provas: não toma banho e leva sempre um saquinho vermelho com arruda e alecrim que a mãe preparou para tirar “mau olhado”. Agora, com o retorno às competições, o atleta promete botar em prática novamente o ritual.