Polícia

Prostituição mobiliza Conselho Tutelar

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Pelo menos seis adolescentes que estão em situação de risco ou de prostituição estão sendo acompanhadas pelo Conselho Tutelar de Bauru. O objetivo dos conselheiros é retirar essas meninas das ruas e inseri-las em projetos sociais, oferecendo também tratamento psicológico. É o caso de duas irmãs, de 13 e 15 anos, que anteontem à noite registraram no plantão policial boletim de ocorrência (BO) de tentativa de estupro. Segundo consta no BO, elas afirmam que “fazem programa” em Bauru.

Em novembro do ano passado, o Jornal da Cidade já havia retratado a prostituição infantil nas ruas da cidade. “São meninas que já tínhamos suspeita de que estavam se prostituindo e, ontem (terça-feira), tivemos a confirmação. Vamos continuar acompanhando e intensificaremos a orientação para a família. Elas precisam retornar à escola e fazer acompanhamento psicológico”, diz a presidente do Conselho Tutelar, Sandra Cristina Ferreira. Em respeito à família e ao Estatuto da Criança e do Adolescente, os nomes das menores estão sendo preservados.

No boletim de ocorrência registrado anteontem, a adolescente de 15 anos relata que ela e a irmã, de 13 anos, “tinham combinado um programa”, mas a mais nova teria desistido quando já estava dentro do carro de um homem, na avenida Rodrigues Alves. Ele não teria concordado com a atitude de desistência da adolescente e mordido a perna dela.

Quando os policiais localizaram o homem de 28 anos, na mesma noite, encontraram sob o banco do motorista um papelote contendo 50 gramas de maconha. Ele acabou sendo preso em flagrante por tráfico de entorpecente e encaminhado à cadeia de Avaí.

As duas adolescentes foram entregues a um maior responsável por elas. Segundo o Conselho Tutelar, a família será convocada para prestar esclarecimentos. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), órgão que vai investigar a denúncia de tentativa de estupro, vai apurar se mais pessoas estão envolvidas no caso. “Iremos verificar se existem pessoas sendo favorecidas com a prostituição”, afirma a delegada titular da DDM, Rejani Borro Ortiz Tiritan.

A delegada não sabe precisar em números, mas afirma que nos últimos meses aumentou a quantidade de registros de prostituição na cidade. Somente em outubro do ano passado, por exemplo, o caso de quatro adolescentes flagradas em um ponto de prostituição na avenida Nações Unidas foi divulgado pelo JC. Com idades entre 14 e 17 anos, elas confirmaram a policiais militares que faziam programas sexuais. Elas chegaram a mostrar aos policiais o dinheiro obtido como pagamento dos “clientes”. Na ocasião, as adolescentes foram encaminhadas ao Conselho Tutelar e à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

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