Bagdá - Ao menos 60 pessoas morreram e 55 ficaram feridas ontem em múltiplos ataques no Iraque. No mais sangrento, um suicida se explodiu em meio a um funeral, que ocorria na cidade de Muqdadiyah, na Província de Diyala (90 quilômetros ao norte da Capital Bagdá). De acordo com a polícia, 36 árabes xiitas morreram e outras 40 ficaram feridas.
Esse foi o dia mais violento no país após as eleições de 15 de dezembro passado. Em Bagdá, ao menos oito pessoas morreram e mais 12 ficaram feridas na explosão de um carro-bomba no sudeste de Bagdá, informaram fontes hospitalares. O veículo usado no atentado estava estacionado em uma região comercial do distrito de Dora.
Mais cedo, cinco pessoas morreram quando um carro-bomba explodiu no distrito de Kadhimiya, no norte de Bagdá. No momento do ataque, membros das forças de segurança do Ministério do Interior faziam uma operação para encontrar a irmã do ministro do Interior, seqüestrada por rebeldes. Ainda na Capital do país, dois comandantes da polícia foram mortos e mais nove ficaram feridos após rebeldes atacarem um posto da polícia, na região oeste, com morteiros.
Além dos atentados contra civis e membros das forças de segurança iraquianas, insurgentes atacaram em Bagdá um comboio de caminhões-tanque, destruindo ao menos 19 veículos. O grupo militante Exército Islâmico no Iraque reivindicou o atentado por meio de um comunicado divulgado em um site, mas a polícia não confirmou essa informação.
No período em que ocorreu as eleições iraquianas - quando os civis foram às urnas escolher o primeiro governo permanente do país, após a queda de Saddam Hussein (1979-2003), o Exército americano aumentou a segurança em todo o país, na tentativa de evitar ataques. Nos últimos dias, porém, o número de patrulhas diminuiu.
A ação insurgente de ontem, registrada dentro de um cemitério da cidade de Muqdadiyah, ocorreu durante o enterro de um sobrinho do diretor do hospital de Muqdadiyah, de acordo com a polícia. O rapaz foi assassinado anteontem em um ataque rebelde, e seu tio - que também é diretor local do partido político xiita Dawa - sobreviveu ao atentado. De acordo com policiais, antes de o suicida se explodir, rebeldes atiraram morteiros contra as pessoas que estavam no funeral. Também foram ouvidas rajadas de metralhadoras.
Na cidade santa de Karbala (120 quilômetros ao sul de Bagdá), e que abriga um santuário xiita, onde há mais de um ano não ocorriam ataques suicidas, um carro-bomba explodiu também ontem, ferindo três pessoas.
O estancamento da violência - sobretudo dos ataques entre árabes sunitas e xiitas - é a condição primeira posta pelos EUA para iniciar a retirada de seus soldados do Iraque, que, neste mês, passadas as eleições, retornam ao nível-base de 138 mil.
Ontem, o presidente americano, George W. Bush, disse que “pode ser possível” reduzir o contingente ainda neste ano. O Pentágono já havia anunciado que estuda um corte para menos de 100 mil militares “se as condições em campo permitissem”. “Mais tarde, neste ano, se os iraquianos continuarem progredindo em termos de segurança e política como esperamos, poderemos discutir mais ajustes com o novo governo iraquiano”, afirmou Bush, em discurso no Pentágono.
Representantes políticos de diferentes facções iraquianas concordaram em se reunir em Bagdá, nos próximos dias, para continuar o debate sobre a formação do novo governo, oriundo das eleições de dezembro.