Internacional

Manobra contábil põe fim à crise do gás entre Rússia e Ucrânia

Folhapress
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Kiev - Rússia e Ucrânia fecharam ontem um complicado acordo para os próximos cinco anos, que põe fim a quatro dias de uma crise política e energética que afetou o fornecimento de gás russo a uma dezena de países europeus. A disputa teve por origem a proposta de Moscou de reajustar de US$ 50 para US$ 230 o preço por mil m3 do gás exportado aos ucranianos.

Pelo acordo, a Gazprom, estatal russa do setor, receberá os mesmos US$ 230 que exigia quando as negociações foram rompidas no sábado. Mas a estatal ucraniana, a Naftogaz, pagará por suas importações apenas US$ 95 por 1.000 milímetros cúbicos do combustível.

O artifício consiste em entregar a intermediação a uma empresa com sede na Suíça e da qual a Gazprom possui a metade do Capital. Trata-se da Roukrenergo, que também fornecerá à Ucrânia o gás natural, por preços bem menores que os da Rússia, do Turcomenistão e do Cazaquistão.

Dos 60 bilhões de milímetros cúbicos que os ucranianos importam anualmente, o gás russo, mais caro, representaria 17 bilhões de milímetros cúbicos , enquanto os gases turcomano e cazaque cobririam a parcela restante. “O acordo nos é satisfatório porque assegura o suprimento para a Europa”, disse Alexei Miller, presidente da Gazprom. “Estamos satisfeitos”, afirmou Oleksiy Ivchenko, da Naftogaz.

O ministro austríaco da Energia, Martin Bartenstein - seu país exerce a Presidência rotativa da União Européia- disse ontem em Bruxelas que “os russos continuarão a ser a espinha dorsal do suprimento de gás aos europeus”. É de origem russa um quarto do gás natural consumido na Europa, e, dessa parcela, 80% transitam pelo gasoduto da Ucrânia. Mas o ministro húngaro da Economia e dos Transportes, Janos Koka, disse que não se pode “relaxar, pois o conflito entre a Rússia e a Ucrânia não está ainda resolvido”.

Há tensões permanentes entre os dois países, depois que a Ucrânia se voltou em 2004 para a UE e para a Otan, abandonando a atitude submissa a Moscou.

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