Pesca & Lazer

História de pescador: O incrível acontece


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“Uma ocasião estávamos eu e o meu irmão Edson Reis, de ‘saudosa memória’, major da Polícia Rodoviária do destacamento regional de Assis, cargo este alcançado ao longo dos serviços prestados, pois era um dos fundadores da polícia, à qual ingressou em 1948, época da sua fundação. Onde, por ironia do destino, veio a falecer em dezembro de 1999, decorrente de um acidente fatal de veículo que o mesmo conduzia a poucos metros do posto policial, que localizava-se no entroncamento da rodovia Raposo Tavares com a rodovia Assis-Marília, posto que comandou por vários anos subseqüentes o policiamento preventivo daquela região com muita firmeza, dedicação e lealdade, quesitos estes adquiridos em sua formação familiar.

Todavia, o que desejo relatar é que seus dois filhos, Nivaldo e Júnior, estavam também numa pescaria no rio Miranda-MS, num lugar denominado ‘Arrombada dos Macacos’, local, bastante conhecido pelos pescadores ribeirinhos. Foi aí, então, que numa manhã de setembro da década de 70, os dois sobrinhos levantaram bem cedo, nem mesmo tomaram café, e saíram de barco rio afora, enquanto eu e o mano Edson permanecemos deitados um pouco mais, porém não demorou muito para que nos puséssemos de pé. Logo me ocupei em fazer café e ele foi ajeitando a tralha para pescarmos dourados. Eis que estava ocorrendo o fenômeno da natureza chamado piracema.

Me apressei com o café, engolimos qualquer coisa que havia na cozinha, tomamos rapidamente o cremoso e nos apressamos em começar a pescar, pois a tralha já estava pronta para iniciarmos a dura missão do serviço do dia.

Tínhamos algumas iscas de tuviras as quais pusemos em um viveiro apropriado com a tralha dentro de um pequeno bote e atravessamos o rio, a remos, e apoitamos num remanso onde mais abaixo a água fluía mais corrente.

Lance daqui, lance dali e começamos num festival de pegar dourados de médio porte, variando de 6 a 10 quilos aproximadamente. Não demorou muito para acabar as iscas de tuviras, foi daí que levantamos a poita e rumamos para o acampamento arranjar duas varinhas para pegar iscas para em seguida poder continuarmos a pescaria de dourados. De repente, quando já estávamos pegando iscas, a varinha do Edson emborcou de tal maneira, que ele, exímio pescador como era, se viu em ‘palpos de aranha’, como diz um velho adágio, para sustentá-la sem que a mesma viesse a quebrar ou então arrebentasse a linha, no entanto, ele tenteou, tenteou até que parou de fazer força e somente ficou pesada, contudo, por sorte não estourou.

Com muita astúcia e grande habilidade, ele foi trazendo para o barranco e o peixe não mais lutou para desvencilhar-se, vindo devagarzinho, pois a linha era finíssima, anzol para pegar peixes miúdos. Daí o Edson me disse, corra e pegue o puçá (chamado também de passaguá) que está na porta da barraca. Corri para lá, trouxe o puçá e conseguimos pegar o peixe que continuava imóvel e com a boca aberta.

Acreditem!... Era um dourado que pesou 7 quilos. Pasmem, senhores, o motivo pelo qual ele não lutou, caros leitores, nem podem imaginar. O coitado tinha um dente cariado e o anzol pegou bem no nervo do dente, razão pela qual ele se entregou totalmente sem a mínima relutância.

Mais tarde, os rapazes meus sobrinhos, que também fizeram uma boa pescaria, chegaram e não acreditaram na história contada, porém, qualquer cirurgião dentista ou alguém que já teve dente cariado com nervo exposto, acham viável o ocorrido, não é mesmo?”

Hugo Reis, pescador e contador de histórias.

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