Leandro Moncorvo Soares sempre soube que é filho adotivo. Nascido em Bauru, há 26 anos, ele foi levado ainda bebê para o Rio de Janeiro por uma família que o acolheu como filho. Agora, ele procura sua mãe biológica. Em e-mail enviado ao JC, ele conta sua história e pede ajuda. Soares, que hoje é técnico em telecomunicações, está decidido a recorrer à Defensoria Pública no Rio para ter acesso a documentos e, assim, tentar descobrir seus familiares que ainda podem viver em Bauru.
Em entrevista ao JC, Soares explicou que a história que seus pais adotivos lhe contaram fazia sentido: a mãe biológica teria morrido após o parto na Maternidade Santa Isabel e, como ninguém teria aparecido para reclamar o bebê, uma enfermeira da unidade de saúde teria comunicado a cunhada, a mãe adotiva de Soares, que há muito tempo desejava um filho. O casal, que morava no Rio de Janeiro, veio a Bauru e registrou a criança. Assim, Soares foi para o Rio, onde reside até hoje.
Mas o rapaz começou a suspeitar da versão por volta dos 15 anos, quando essa mesma tia, que naquela época estava morando em São José dos Campos, encontrou um bebê abandonado na porta de casa. Dias depois, ele escutou a sua avó comentar sobre a história com uma pessoa, na igreja. “Eu estava do lado de fora da igreja, quando ouvi ela contar que a menina havia sido abandonada na porta (da casa) dela. Ela disse àquela pessoa que a mesma coisa havia acontecido comigo, em Bauru, que eu tinha sido deixado na porta da minha tia”, lembra.
Soares conta que, mesmo com a dúvida, não conseguiu perguntar à mãe adotiva qual é a verdadeira história. A avó, hoje com a saúde bem frágil, também não foi questionada. “Ela está muito velhinha e passa mal com qualquer coisa”, explica. O pai adotivo faleceu logo depois do episódio da igreja, e Soares também nunca perguntou nada a ele.
A tia mora atualmente em Salvador com a filha adotiva. Soares conta que na época em que ele teria sido abandonado, a tia só não ficou com ele porque já tinha dois filhos pequenos. Quando se mudou para São José dos Campos e encontrou a segunda criança, seus filhos já estavam grandes e ela pôde ficar com o bebê. “O caso ficou famoso, pois a mãe deixou a criança com um bilhete. Até saiu no jornal de lá”, conta.
Incentivado pela esposa, Soares passou a procurar informações sobre a sua história. Ele chegou a conversar com a testemunha que consta na sua certidão de nascimento. “Mas ele era funcionário do cartório e disse que, naquela época, era comum ser testemunha nas certidões que eles emitiam, portanto não se lembra do meu caso“, explica.
Ele enviou à redação uma reprodução do documento. Nele, consta que Soares nasceu no dia 13 de março de 1979, às 5h35, na Maternidade Santa Isabel, em Bauru. Com dados tão precisos, ele acredita que conseguiria encontrar o registro da sua mãe nos arquivos do hospital.
Com este objetivo, chegou a ligar para a maternidade, mas sem autorização judicial, ele não pôde ter acesso às informações de arquivo. A argumentação dada é que a liberação das informações dos partos realizados no dia de seu nascimento exporia as outras mães que deram à luz na data.
• Serviço
Se alguém possuir alguma informação sobre a família de Leandro Moncorvo Soares, pode entrar em contato com o rapaz pelo telefone (21) 2276-7547 ou pelo e-mail: bianca@mon corvo.com.br.
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Via judicial
Reinaldo Rocha, superintendente da Associação Hospitalar de Bauru - instituição responsável pelo Hospital de Base, Hospital Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel -, aconselha Leandro Moncorvo Soares a procurar a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para auxiliá-lo na pesquisa. “Ele entra com a documentação e a argüição. O juiz solicita e a gente providencia a cópia do prontuário (dos partos realizados na maternidade)”, explica.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele conta que quer saber o que de fato aconteceu. “Não é possível que a minha mãe biológica não tivesse mais ninguém. E seu eu tiver irmãos, primos, alguém em Bauru?”, questiona. “Ela pode até ter morrido e com raiva, meu pai tivesse me deixado. Mesmo que essa seja a verdade, eu quero saber”, diz.