Economia & Negócios

Sinergia anuncia greve na Cteep

Da Redação
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Com o objetivo de pleitear a antecipação da campanha salarial da categoria, visando o processo de privatização da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), os trabalhadores da empresa devem começar na próxima segunda-feira uma greve por tempo indeterminado. A informação é do diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT) Francisco Wagner Monteiro, o Chicão.

De acordo com ele, mesmo sob o título “por tempo indeterminado”, a previsão é de que a paralisação dure cerca de três a quatro dias. “É o tempo que geralmente leva para o Tribunal Regional do Trabalho julgar a greve e, possivelmente, determinar a volta ao trabalho. Além de Bauru, também haverá greve nas unidades da Cteep de Santa Bárbara D’Oeste, Votuporanga, Jupiá, Itapetininga, Presidente Prudente, Araraquara, Ribeirão Preto e Mococa”, diz Monteiro.

Segundo ele, a unidade de Bauru tem cerca de 400 funcionários. Deste total, 30% ficará à disposição da empresa para entrar em ação no caso de haver risco de interrupção no fornecimento de energia. “A princípio, não haverá prejuízos aos consumidores, pois não é essa a nossa intenção. Os serviços básicos essenciais serão mantidos”, assegura o sindicalista.

Contudo, se a greve durar mais de cinco dias, aumentam os riscos dos equipamentos apresentarem problemas por falta de manutenção. No ano passado, os trabalhadores da Cteep promoveram vários movimentos de paralisação de um dia como forma de protesto ao processo de desestatização da empresa e também durante as negociações da campanha salarial. Em nenhuma ocasião o fornecimento de energia elétrica foi interrompido.

Campanha salarial

“Essa greve faz parte da campanha salarial antecipada da categoria. A negociação do acordo coletivo só será feita após a privatização, se ela ocorrer. Então, nós estamos pleiteando que a empresa antecipe a negociação e solicitando três anos de acordo coletivo com garantia de emprego. Desta forma, caso a privatização ocorra, poderá ser feita uma transição tranqüila dos trabalhadores, para que eles se adaptem ao novo controlador da Cteep”, observa Monteiro.

Para o dia 8 de fevereiro está marcado o leilão de privatização da empresa. Portanto, os funcionários já agendaram para o dia 6 uma nova paralisação de protesto. O edital do leilão está previsto ser publicado no dia 11 deste mês.

“Nós estamos movendo várias ações judiciais na tentativa de impedir o leilão. A audiência pública ocorreu no último dia 19, mas estamos tentando cancelar. Se conseguirmos, não será publicado o edital de venda no dia 11, conseqüentemente, não haverá o leilão no dia 8 de fevereiro”, projeta o sindicalista.

De acordo com Monteiro, a categoria é contra a privatização da Cteep por considerar um procedimento que resulta na precarização do trabalho oferecido ao consumidor por meio da terceirização dos serviços prestados, além de apontar um “inevitável aumento das tarifas” e demissão de trabalhadores.

A desestatização da Cteep foi aprovada na Assembléia Legislativa (AL) de São Paulo no dia 18 de maio do ano passado. De acordo com o governo do Estado, a venda da Cteep foi decidida para tentar salvar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que tem dívida de aproximadamente R$ 10 bilhões.

A Cteep está avaliada em mais de R$ 1 bilhão e é responsável pela transmissão de energia das empresas geradoras para as distribuidoras. Em todo o Estado de São Paulo a companhia possui cerca de 2.800 funcionários.

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