Jaú – O Mercado Municipal de Jaú (47 quilômetros de Bauru) está completando 107 anos hoje. Construído no século 19, foram comercializados em todos estes anos desde secos e molhados até frutas, tecidos e calçados. O local, que também já serviu como rodoviária, foi testemunha de duas guerras e sobreviveu a um incêndio.
Inaugurado oficialmente em janeiro de 1899 o “Mercadão”, como é conhecido popularmente pelos jauenses, teve que fechar suas portas em três ocasiões: de 1914 à 1918, devido a Primeira Guerra Mundial, entre 1939 à 1945 durante a Segunda Guerra Mundial e em 1990 por causa de um incêndio.
Em 1946, o comércio começou a se diversificar. As frutas, ao poucos foram dando lugar aos calçados, confecções, brinquedos, bijouterias, bares, peixaria e garaparia. Na entrada principal, instalou-se o amolador de facas e tesouras, que prestava serviço até bem pouco tempo atrás. O comércio começou a se fortalecer com as centenas de pessoas da região, que vinham fazer compras e também seguir viagem para os mais diversos destinos.
A parte central do prédio passou por uma remodelação em 1968, recebendo pintura nova e sete boxes adicionais. Além disso, as barracas velhas foram substituídas por bancas de alvenaria.
Foi nessa época também que surgiu um dos pontos mais tradicionais do Mercadão: a Pastelaria Primavera, de propriedade da família Kiosi Kataoka.
Sino
Nos seus tempos de glória, o horário de funcionamento do Mercadão era demarcado com as batidas de um sino situado na entrada lateral da Rua Tenente Lopes, onde a administração tinha sua sala ao lado. Os produtores que vinham dos bairros situados ao redor da cidade ficavam aguardando com suas cestas, após soar o sino, entravam e dispunham seus produtos em bancas ou no próprio chão.
O incêndio, ocorrido em 1990, destruiu parte do prédio do Mercado Municipal em plena época de Natal, obrigando os comerciantes a mudarem seus negócios para outro endereço - um galpão alugado na rua Saldanha Marinho. “Se não tivéssemos nos unidos e alugado esse prédio provisório, o Mercadão não existiria mais”, conta o comerciante Valdinei Florisvaldo João.
Depois de passar por uma grande reforma, que durou quatro anos, o prédio foi reinaugurado em fevereiro de 1994. O projeto arquitetônico de remodelação interna foi assinado pelo vencedor de um concurso patrocinado na cidade.
Freqüentadores assíduos
O casal Orosimbo Calegari e Maria Aparecida Calegari, de Itapuí, freqüenta o Mercadão desde a juventude. “Eu fui criado aqui em Jaú e agora faz dois meses que mudei para Itapuí. Eu lembro da época em que a rodoviária funcionava, eu vinha com meu pai, na minha infância Meu pai comprava fruta, a gente comia pastel e lanche”, lembra Calegari.
Felício Olivato, 70 anos, morador da Fazenda Jataí, vai ao Mercadão pelo menos uma vez por mês há pelo menos 15 anos. Aposentado, Olivato recebe seu salário e aproveita para comer o famoso sanduíche de pernil feito por José Segolin desde 1953.