Há um ano e sete meses, a comerciante Elaine Cristina Oliveira, 27 anos, livrou-se de um dos maiores problemas da vida dela: a obesidade. Mesmo fazendo diversos tipos de regime, não conseguia emagrecer e chegou a pesar 110 quilos. Resolveu fazer a cirurgia bariátrica, conhecida popularmente como cirurgia de redução de estômago, e hoje comemora o resultado: 40 quilos a menos e mais qualidade de vida.
Vencida a seara, Elaine precisa vencer outra batalha: retirar as sobras de gordura que provocam a flacidez da pele, uma das queixas dos pacientes que perderam muito peso. Nessa fase, a cirurgia plástica pós-bariátrica – também chamada de cirurgia plástica da obesidade - é grande arma para corrigir deformidades geradas pelo grande emagrecimento e remodelar o corpo, elevando a auto-estima, explica o cirurgião plástico João Francisco Grabriele.
“Após ter emagrecido, os pacientes começam a desfrutar de todos os benefícios, como sair da obesidade mórbida e não ter mais riscos cardiovasculares e diabéticos, além da prática esportiva. O que sobra é o estigma da flacidez de pele, poucas sobras de gordura que incomodam e levam muitos a procurar um tratamento com cirurgia plástica”, diz ele.
Segundo o cirurgião, em geral, esse procedimento não é executado antes de um ano após a cirurgia bariátrica. “Depois que o paciente já passou pela fase de emagrecimento e estabilizou seu peso - fase que, em geral, varia entre 12 a 18 meses - está preparado para a cirurgia plástica”, diz.
“Mas não existe uma obrigação, a realização da cirurgia plástica é uma questão muito pessoal”, ressalta Gabriele, que é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Associação dos ex-alunos do professor Ivo Pitanguy.
De acordo com o cirurgião, as áreas do corpo mais procuradas são o abdômen e os braços, mas alguns optam pelo pescoço ou pernas. “Nem sempre é uma regra e isso depende do que incomoda o paciente”, aponta.
Elaine Oliveira planeja corrigir a região do abdômen, braços e seios. “Tenho excessos de gordura, e nas pernas, muitas estrias”, conta. Persistente, após a cirurgia bariátrica, ela procurou médicos especialistas e deu início a um acompanhamento multidisciplinar, que inclui exames, dieta balanceada, e também a prática regular de exercícios físicos.
“Fiz os exames e estava com anemia. Os médicos pediram para que eu esperasse de dois a dois anos e meio para fazer as operações”, diz Oliveira.. Por um bom motivo, seus planos serão adiados. “No dia 26 de dezembro descobri que estava grávida e tenho que interromper o tratamento, mas assim que meu neném nascer vou fazer as plásticas”, diz.
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Equilibrando corpo e mente
De acordo com Gabriele, em se tratando de cirurgia plástica, uma das grandes exigências da população brasileira é ter o contorno corporal adequado. “Nosso padrão não é como o padrão americano, que busca apenas retirar o excesso de gordura. O brasileiro quer ter um corpo bonito e definido.”.
Além da questão estética, a cirurgia plástica pós-bariátrica tem como objetivo elevar a auto-estima dos pacientes e proporcionar melhor qualidade de vida. “As pessoas querem restaurar sua imagem e, em grande parte das vezes voltam a praticar atividades esportivas e melhoram seu convívio social”, observa.
Elaine Oliveira está satisfeita com os benefícios proporcionados pela cirurgia bariátrica. “A pior coisa era entrar numa loja e escutar a vendedora dizer que não havia roupa para meu tamanho. Agora volto nessa mesma loja e sou bem atendida. Se eu mostrar uma foto atual e outra tirada antes da cirurgia, muitos vão achar que não é a mesma pessoa. Com a cirurgia plástica (pós-bariátrica), pretendo melhorar ainda mais”, diz.
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Maturidade
Embora seja uma das principais armas contra a obesidade e recuperação da auto-estima, é fundamental analisar os reais motivos que levam o paciente a procurar pelo tratamento com a cirurgia plástica.
Gabriele explica que muitas vezes o indivíduo é bonito, mas não consegue aceitar sua imagem. “É um transtorno chamado dismorfofobia. É comum as pessoas apontarem queixas em relação à questões estéticas, mas na verdade o problema não está ali”, diz Gabriele. E não é raro isso acontecer em pacientes que passaram cirurgias pós-bariátricas, aponta.
“Essas pessoas tiveram uma mudança radical. Muitas vezes, existe uma compulsão alimentar e, de repente, ela é privada do dia para a noite. Por isso é fundamental um acompanhamento psicológico”, frisa o especialista.
A maturidade é outro cuidado essencial para quem deseja realizar uma cirurgia plástica, enfatiza Gabriele. Segundo ele, a cirurgia pós-bariátrica não é um procedimento simples e exige cautela.
“As pessoas tendem a banalizar, dizendo que o tratamento é apenas um retoque, mas é preciso tratá-lo como procedimento cirúrgico, o qual envolve riscos, requer uma rotina de exames pré-operatórios e deve ser feito em ambiente adequado”, detalha Grabriele.
“Toda cirurgia plástica deve ser bem pensada porque é uma mudança. Se a pessoa faz essa mudança e percebe que ela não ficou exatamente como planejou, fica com as cicatrizes pelo resto da vida”, pontua.