Bairros

Arquiteto aponta alternativas para desfavelamento

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 2 min

Retirar a população carente da favela e transferi-la para núcleos habitacionais com infra-estrutura básica, como água, luz, esgoto e transporte é um grande progresso, mas não é garantia de melhoria de vida. A conquista da dignidade depende também de promoção social e possibilidade de ascensão social. Assim pensa o chefe do Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Xaides de Sampaio Alves. “É preciso criar oportunidades para que as pessoas que residem no núcleo habitacional possam crescer socialmente”, afirma.

De acordo com ele, uma das possibilidades mais viáveis para proporcionar ascensão social começa com a construção das casas, a partir do sistema de mutirão. “É possível firmar convênios com empresas e criar cursos profissionalizantes para pintores, eletricistas, encanadores, carpinteiros. Assim, além de auxiliar na construção da própria casa, a pessoa já adquire conhecimentos que podem lhe garantir um emprego”, explica.

De encontro ao pensamento de Xaides e complementando a idéia de promoção da dignidade, o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito aponta ainda outros fatores determinantes para a ascensão social. “Nos núcleos habitacionais é imprescindível que haja creche, escola, posto de saúde e um centro comunitário, onde funcione cursos de alfabetização de adultos e de geração de renda”, diz.

Para o processo de desfavelamento, Xaides aponta três possibilidades. A primeira é fazer a urbanização do próprio local em que a favela já está situada, desde que não apresente situações de risco aos moradores. A segunda possibilidade é a transferência dos moradores para lotes congêneres e com a construção de núcleos habitacionais, como é feito hoje, mas com o acréscimo da promoção social. Por fim, a terceira alternativa seria a ocupação dos “vazios urbanos”, ou seja, a construção de pequenos conjuntos habitacionais em áreas ociosas entre um bairro e outro. “Todas as possibilidades têm seus benefícios. No primeiro caso, os moradores já estão habituados àquela região. O segundo se aplica mais a grandes núcleos habitacionais ou no caso de áreas de risco. E o terceiro garante a economia de recursos, uma vez que o local já tem infra-estrutura, e facilita a ascensão social dos moradores pela proximidade com áreas desenvolvidas”, acrescenta o arquiteto.

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