Esportes

Entrevista: Barbosa projeta o Bolsa Atleta

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 4 min

Responsável pelo descobrimento de diversos talentos do basquete feminino, o técnico da Seleção Brasileira feminina de basquete e atual secretário municipal de Esportes, Antônio Carlos Barbosa, em visita ao JC, falou sobre a carreira como técnico, o trabalho da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) de Bauru e sobre uma obsessão: o projeto Bolsa Atleta.

Barbosa iniciou na carreira de técnico ainda muito jovem, no início da década de 60, quando começou a dirigir a equipe do colégio em que estudava, o Ernesto Monte. Em 1970 começou a trabalhar com seleções. Foi convidado para dirigir a Seleção Paulista. Já na Seleção Brasileira feminina, em 1971 começou como assistente-técnico de Waldir Pagan, no Pan-americano de Cali, com o Brasil campeão.

Em 1976 foi convidado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) para dirigir a seleção feminina e realizar um trabalho de longo prazo com a equipe. Foi aí que Barbosa mostrou seu potencial para administrar uma equipe. Convocou Hortência, com apenas 17 anos, que na época era reserva da equipe de São Caetano. Levou também à seleção Paula, com 14 anos, e Vânia Teixeira, com 16. Após este trabalho de base, a Seleção Brasileira conquistou diversos títulos.

Como secretário de Esportes da cidade, Barbosa mostra-se ciente dos problemas e das dificuldades que a Semel tem pela frente. O orçamento de 2005 para a Secretaria foi de R$ 1,560 milhão. “É um orçamento pequeno para uma cidade do porte de Bauru. Mas é o que a prefeitura pôde oferecer. Como todos sabem, até o ano passado a cidade passava por graves problemas financeiros”, afirmou Barbosa.

E completou: “Sei que a cidade necessita de muito mais, e que em 2005 deixou a desejar. Mas não adianta compararmos nossos resultados nos Jogos Abertos do Interior, com o de cidades que têm uma verba para o esporte infinitamente maior do que a nossa.”

Para 2006, o dinheiro destinada à Semel é R$ 2,520 milhões. “Já é um grande avanço”, afirmou o secretário. Bauru tem apenas quatro ginásios esportivos e os estádios distritais estão em péssimo estado de conservação, o que agrava o problema.

“Da mesma maneira que o cidadão tem carência de creche, de saúde e de educação, ele também tem carência de esportes. A falta de espaço para a criança praticar um esporte é um crime. Estamos permitindo que um talento seja desperdiçado. Você está impedindo o desenvolvimento sócio-econômico de uma família, porque não temos uma quadra sequer para saber se o menino joga futebol, basquete, vôlei, ou se ele leva jeito para o atletismo.”

Barbosa falou dos projetos que tem enviado à prefeitura, como construção de praças esportivas, pista de skate, escolinhas de modalidades esportivas e o Bolsa Atleta. “Dei a idéia para o Tuga de construirmos pelo menos dois ginásios de esportes ao final dos quatro anos. Pretendo também realizar um convênio com a Secretaria da Educação para que nos horários que não tiver atividade a gente coloque professores nossos para dar aula nas escolinhas de iniciação esportiva. Na medida em que você investe em esporte, você está investindo em segurança pública”, ressaltou.

No final do ano passado, Barbosa enviou ao prefeito Tuga Angerami o projeto Bolsa Atleta. Trata-se de um apoio ao atleta de alto nível que defenda uma equipe da cidade. O projeto prevê um salário pago pela prefeitura, diretamente ao atleta. Esta verba vai se dividir em quatro níveis: Intenacional A, Internacional B, Nacional e Estadual. Para cada nível o salário terá um valor. Segundo ele, atualmente o projeto está no departamento jurídico da prefeitura.

“Por exemplo, o Sabino, judoca bauruense que compete por São Caetano. Se ele quiser voltar para Bauru, iremos oferecer um salário de nível Internacional A, porque ele já disputou uma Olimpíada”, explicou Barbosa.

“O projeto já está praticamente montado, só falta o jurídico aprovar e o decreto ser liberado para a gente colocar em prática o mais rápido possível. Temos que criar medidas concretas que possam ser usadas futuramente”, afirma, esperançoso.

No papel, a Semel tem o dever de administrar a manutenção dos estádios municipais e das escolinhas esportivas, manter em funcionamento os ginásios municipais, realizar projetos específicos de lazer nas praças e bosques da cidade, selecionar as equipes que representam a cidade em jogos Regionais e Abertos do Interior e ajudar, sem interferir, nos projetos e realizações desportivas dos clubes da cidade.

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