Completar os estudos sempre foi o sonho de muitos brasileiros. O internos do Instituto Penal Agrícola (IPA) mais uma vez tiveram a chance de realizar uma parte desse sonho ontem, quando prestaram as provas do Centro de Exames Supletivos (Cesu), para obter o certificado de conclusão dos cursos e eliminação de matérias. Em Bauru, a previsão inicial era de que 67 homens prestassem as provas do ensino fundamental e 18 para o ensino médio. Em todo Estado foram mais de 6 mil reeducandos inscritos para as provas do ensino fundamental e cerca de 2.900 no ensino médio, que estudam nas salas de aula mantidas pela Fundação de Amparo ao Preso (Funap).
Inicialmente, estavam inscritos em Bauru 891 alunos para os exames do ensino fundamental e 359 no médio. “Como a população carcerária do instituto muda muito, esses números foram se alterando”, explica o diretor de divisão da unidade, Evandro Bueno Campanhã.
Ele aponta que muitos dos que se inscreveram já deixaram o IPA e outros que haviam se inscrito em unidades e vieram transferidos para Bauru puderam fazer a prova aqui. Os reeducandos comemoram a oportunidade. “É muito bom, porque a gente sai daqui com mais preparo”, avalia Edjan Félix dos Santos, 28 anos.
Ele estava aguardando o início das provas para obter o certificado do ensino médio. “Eu estou confiante para hoje. Durante o ano a gente estudou, relembrou algumas coisas. Acho que eu vou conseguir”, garante. Sobre o futuro, o reeducando faz seus planos. “Vou continuar estudando. Por isso estou aqui. E pretendo fazer faculdade de medicina”, revela.
Para o interno Regivaldo Aparecido Clemente, 29 anos, a iniciativa é bem-vinda. “É primordial para a nossa ressocialização. Na rua a gente não teve essa oportunidade”, aponta. Quando sair do IPA, Clemente também sonha com um curso universitário e pretende se candidatar a uma faculdade de direito. Sobre o exame, ele estava confiante. “Estudei bastante, com certeza o resultado vai ser bom”, acredita.
Alexandre Rodrigues Mendes, 31 anos, estava entre os alunos da prova do ensino fundamental. “Para a gente, essa iniciativa é muito importante. Quando estiver em liberdade, fica mais fácil conseguir emprego”, diz. Ele conta que pretende continuar estudando e que também está confiante sobre o teste. “Passei o ano todo estudando para passar nessa prova”.
O professor Cláudio Moreira estava coordenando as provas no IPA. Como não era a primeira vez que atuava no instituto, já sabe qual o único problema que enfrenta: a ansiedade dos internos, já que a prova foi ministrada num domingo, dia que os reeducandos recebem a visita das famílias. “Eles aguardam com muito carinho esse dia, então, ficam ansiosos e querem fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, conta. O professor avisa que o gabarito da prova tem a previsão de ser divulgado no dia 11 de fevereiro e o resultado das provas, em 9 de março.
Campanhã afirma que esse trabalho com os reeducandos já faz parte da rotina do instituto. “Hoje, dos 900 internos que abrigamos, cerca de 500 estão na escola. Eles também recebem apoio social e psicológico”, observa. O objetivo, destaca, é trabalhar a motivação do interno para que ele tenha uma reinserção melhor à sociedade. “E o resultado é excelente. A quantidade de alunos beneficiados é muito grande”, aponta o diretor.
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Livros
O IPA acabou de receber duas doações para incrementar a biblioteca que mantém disponível aos reeducandos. A Instituição Toledo de Ensino (ITE) entregou dezenas de livros jurídicos, enquanto a Funap doou edições de clássicos da literatura brasileira. “Todos no instituto podem ter acesso, mas na escola vamos fazer um trabalho de estímulo à leitura”, conta Evandro Bueno Camapanhã, diretor de divisão do instituto.