Esta história faz parte do folclore ferroviário, que eu ouvi quando trabalhei na Fepasa. Não sei se foi verdade, mas é muito legal e vale a pena dividi-la com os leitores desta coluna. É comum que as linhas do pátio da estação tenham apelidos para diferenciá-las. Na estação triagem baldeação havia duas linhas paralelas que se chamavam “xiringa velha” e “xiringa nova”, respectivamente.
Certo dia, quando uma composição de vagões estava chegando para esta estação, o manobrador que a acompanhava perguntou ao guarda-chave, responsável pela introdução dos vagões no pátio.
- Adonde eu infio tudo?, referindo-se aos vagões.
O guarda-chave respondeu gritando...
- Carca tudo na “veia”, pruquê a “nova” já tá bem cheia!
Por ironia do destino, coincidentemente passava por ali uma senhora acompanhada de sua filha gestante em processo bem avançado de gravidez. Ouvindo aquilo a anciã foi brigar com o guarda-chave, mandando ele carcar tudo na sua genitora. Não satisfeita com a explicação do mesmo, foram parar todos na sala do delegado de polícia.
Depois de vir um responsável da ferrovia para explicar o mal-entendido, já estava quase tudo esclarecido quando o delegado resolveu perguntar a um outro manobrador que também acompanhava a composição se o mesmo confirmava a história, o qual respondeu: - Ô dotô, num vi nada não, naquela hora eu tava trepado na baianinha!
De pronto o delegado estalou os olhos, normalizando somente depois que foi explicado que baianinha é o apelido dado ao vagão que propicia a tração férrea de vagões de bitolas larga e estreita numa mesma composição.
Salvador Rodrigues Jr. - ex-ferroviário, mototaxista e professor de história