A Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra os hospitais de Base, Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel, tomou emprestado ontem em instituição financeira R$ 700 mil a juros de 4% ao mês para pagar os seus funcionários. Os salários de janeiro deveriam ter sido depositados na última sexta-feira, mas ainda não foram pagos porque a AHB não recebeu verba do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo Reinaldo Rocha, superintendente da entidade.
Mas ele garante que, com o empréstimo, os 1.290 funcionários dos três hospitais vão receber seus salários na próxima quinta-feira. Rocha explica que AHB tem a receber R$ 799 mil do programa Integra-SUS referente aos meses de novembro e dezembro de 2005 e este mês. “Se este dinheiro estivesse sido repassado, daria para cobrir toda a folha de pagamento, que é de R$ 750 mil”, frisa.
Além dos R$ 700 mil tomados emprestados, a AHB vai colocar R$ 50 mil do seu próprio caixa para pagar os funcionários. Ele afirma que a AHB entrou em contato com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru e a negociação é para que não haja paralisação dos serviços.
Em nota à imprensa, o sindicato informa que procurou o SUS, que confirmou que o repasse de verba à AHB está atrasado. Mas a entidade ressalta que os funcionários dos três hospitais não podem “sofrer as conseqüências dos descontroles governamentais”.
A nota informa, ainda, que o vice-presidente do Sindicato da Saúde, Carlos Alberto Segura, relata ter tentado uma solução amigável com a AHB para o pagamento dos funcionários, o que não teria sido possível. Por isso, o sindicato solicitou à Procuradoria Regional do Trabalho uma audiência de emergência na tentativa de regularizar os salários.
Na última greve da categoria, em maio do ano passado, lembra o sindicado, a AHB assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) comprometendo-se a não atrasar o pagamento dos salários sob pena de multa. Quanto à possibilidade de uma nova greve, o sindicato adianta que, se o pagamento não for efetuado após a audiência na Procuradoria, será realizada assembléia para que os trabalhadores decidam sobre a suspensão ou não das atividades.
A AHB, informa Rocha, continua esperando o repasse da verba do SUS para quitar o empréstimo bancário. Mas de, acordo com ele, foi o primeiro atraso do governo federal desde que está à frente da associação novamente, há cerca de seis meses.