Regional

Arsenal de guerra põe polícia em alerta

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 2 min

Após a apreensão de um verdadeiro arsenal de guerra – que incluía bazuca lança-granadas e fuzis de uso exclusivo das Forças Armadas - pelo Policiamento Rodoviário de Santa Cruz do Rio Pardo, no último sábado, e de uma tentativa de resgate de presos na penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, anteontem, na qual foram apreendidos mísseis e metralhadoras, polícia e sociedade civil estão em alerta.

O JC apurou que dois dos carros abandonados pelos bandidos na tentativa frustrada de resgate em Presidente Bernardes estavam juntos com a caminhonete Montana apreendida em Santa Cruz do Rio Pardo. De acordo com uma fonte que prefere não se identificar por questões de segurança, a ação dos bandidos foi muito bem planejada e o comando provavelmente teria partido da Capital. A fonte ressalta a potência das armas, que têm capacidade para derrubar helicópteros, e o fato de os carros abandonados na ação terem quatro portas para facilitar a fuga.

Segundo a fonte, os bandidos não lograram êxito porque foram surpreendidos com o revide imediato da Polícia Militar, responsável pelo policiamento externo do presídio e por conta das opções de rota de fuga serem limitadas na região.

De acordo com um dos maiores especialistas em segurança pública da América Latina, coronel Nilson Giraldi, os bandidos estão cada vez mais ousados por conseqüência da defasagem dos sistemas criminal e prisional brasileiros. “Estes sistemas são velhos, anacrônicos e não funcionam. É preciso mais audácia do Poder Público para modernizar estes sistemas”, afirma.

Para ilustrar sua afirmação, Giraldi apresenta diversos dados. “A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda um policial em atividade para cada 250 habitantes. Em Nova Iorque, por exemplo, há um policial para cada 180 habitantes, e, na Grande São Paulo, existe um policial para cada 1.000 habitantes. Melhor nem comentar sobre os estados do Norte e Nordeste”, diz.

Outros dados que mostram a defasagem da segurança pública no Brasil dizem respeito ao sistema carcerário. “Hoje existem 330 mil encarcerados no país ocupando 220 mil vagas. Mas, na verdade, 1,5 milhão deveriam estar presos. O problema está na lentidão dos processos, da condenação e do cumprimento das penas. E na falta de vontade política”, salienta.

Questionado sobre a possibilidade do fim da insegurança pública, Giraldi é enfático. “O problema não está na polícia. A Polícia Militar do Estado de São Paulo é uma das melhores polícias fardadas do mundo. O questão é política. O Estado tem dinheiro, afinal temos a maior carga tributária do mundo. Mas não temos nenhum presídio federal. O que mais posso dizer?”, encerra.

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