O artigo “Encontro com Sharon”, de autoria do ex-deputado Antonio Tidei de Lima, publicado na edição de domingo, abriu-me uma oportunidade de também fazer abordagens de meus encontros (não foi um só) com o ex-presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira.
O histórico, recheado de bons momentos, conta com testemunhos de muita gente que vivenciou a vinda de JK em nossa cidade no dia 6 de janeiro de 1962. Como formando do Senac e também como presidente da comissão da formatura, sem consultar os colegas, enviei um convite a JK para ele ser o paraninfo da turma de contabilidades do Senac daquele ano. Não julguei que JK fosse aceitar, mas, de repente, chegou um telegrama, aceitando o convite e confirmando estar em Bauru no dia da cerimônia
O “sim” de Juscelino causou-me um complicador, por não ter respaldo da classe de formandos. O convite ao JK foi um ímpeto meu, uma atitude isolada. Como fazer? Imaginei. Recorri ao falecido professor Dorival de Godoy (pai do Amilton, Adilson e Amilson Godoy), que me disse: “converse com a classe durante minha aula”. Vou te ajudar. Foi o que foi feito. Entre os 40 formandos, apenas Zillá Cera contestou, afirmando que aceitaria JK paraninfo se ele mesmo viesse e não representante. Imaginando o que seria JK na festa de formatura, garanti à classe que Juscelino viria com certeza a Bauru para paraninfar a turma.
O pessoal do PSD (partido do JK), associando-se aos formandos do Senac, já tinha preparado a cerimônia de outorga do título de “Cidadão Bauruense”, um coquetel na residência de Aymoré Pinheiro e um almoço de confraternização no Hotel Cidade de Bauru, com a presença de políticos da cidade e os prefeitos da região. JK era candidatíssimo a presidente em 1965.
Vinte dias antes da festa, fui surpreendido com um telegrama, informando que JK ia para o Espírito Santo e o professor José Antonio Chediak (seu assessor) viria para Bauru no dia 6 de janeiro. Inconformado, no mesmo dia me dirigi ao Rio de Janeiro, para seu escritório, na rua Sá Ferreira, 38, em Copacabana. Lá cheguei por volta das 9h. Na sala, encontrei-me com Israel Pinheiro, Juracy Magalhães, Mário Garnero e outros. Sentei-me à espera de sua chegada. Juscelino, ao chegar de chapéu nas mãos, adentrou à sua sala e lá fui eu com os políticos vips da época, na tentativa de mudar sua agenda.
Reforçado pelo meu ideal, cheguei até ele e relatei a necessidade dele estar presente em Bauru no dia 6 de janeiro, anunciando que ele iria desfilar em carro aberto pelas ruas, receber o título de “Cidadão Bauruense” e almoçar com os prefeitos da região, além do que era um compromisso de honra que eu tinha firmado com os colegas, garantindo a sua presença. Depois do meu apelo, carismático e alegre, JK determinou a sua assessoria mandar Chediak ao Espírito Santo e ele viria a Bauru. Pedi que ele redigisse em próprio punho uma mensagem de sua vinda a nossa cidade, que foi publicada em “fac símile” na primeira página do Diário de Bauru, pelo então diretor Nelson Reginato. E assim ocorreu.
O autor, Roberto Rufino, é jornalista do JC.