Economia & Negócios

Bauruenses consomem 20 mil cocos verdes a cada semana

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O clima é de praia. Dia comprido – até as 20h o sol ainda está brilhando – e o calor do verão contribuem para a sensação de litoral. Completando a paisagem, muito coco verde. Uma das bebidas que mais caracteriza a estação, a água de coco é consumida aos milhares de litros todos os dias na cidade. O maior atacadista do produto na cidade estima que 20 mil unidades do fruto são comercializadas toda a semana em Bauru.

Excelente para matar a sede, especialmente quando está bem gelada, a água de coco é recomendada para a hidratação do corpo humano, numa época que todos devem aumentar a ingestão de líquido, principalmente por causa do calor e também após a prática de exercícios físicos.

Aproveitando o sol que vai até tarde, muitos bauruenses invadem as avenidas da cidade para praticar caminhadas. Ao final, param em pontos estrategicamente instalados pelos comerciantes para beber água de coco. É o caso da estudante Karen Galli da Silva, 18 anos. “Toda vez, depois de caminhar pela avenida, paro para tomar água de coco. É gostosa e saudável”, explica.

O casal Sandra e Nélson Viotto não dispensa a bebida nos finais de tarde. “É hábito. Todas as tardes, depois de sair do trabalho, nós paramos para tomar água de coco”, revela Sandra. “Aproveitamos a caminhada. É muito gostoso e bem saudável”, conta Sérgio. Já a professora de educação física Cinthya Piccirilli consome a bebida até no inverno. “Às vezes, venho só pela água de coco. De vez em quando, aproveito e levo para casa”, revela.

O atacadista Welington Húngaro de Oliveira afirma que costuma entregar 20 mil cocos por semana aos comerciantes da cidade. Trazidos principalmente do Nordeste, ele explica que os frutos chegam em caminhões cobertos por lonas, que permitem a ventilação. “Cada caminhão traz oito mil cocos. E eu recebo até três carregamentos por semana. Cheguei a vender 15 mil cocos num dia”, recorda.

Ele diz que é responsável pelo abastecimento de 99% do produto na região, já que além de Bauru possui depósitos em Marília. “Vendo até para Presidente Prudente. E também tenho depósito em Americana”, conta.

Pioneiro na cidade, Camilo César do Nascimento chega a vender 3 mil cocos a cada 10 dias. Há 16 anos ele deixou um emprego estável para abrir seu próprio negócio: vender coco. Na verdade, o empreendimento começou como hobby, mas hoje ele tem uma barraca movimentada na avenida Octávio Pinheiro Brizola. Nascimento lembra que durante uma viagem a Goiás, onde fez um estágio, conheceu o comércio de água de coco. Logo, aprendeu a manobrar o facão para abrir o fruto. Assim que chegou em Bauru, fez um estudo para avaliar o mercado. “Comecei aos finais de semana, com um carrinho no Centro. Meses depois subi para o aeroporto”, relata.

Há 14 anos abriu uma barraca na avenida Octávio Pinheiro Brizola, de onde não saiu mais. Hoje, chega a vender 3 mil cocos a cada dez dias. “Antes, quando não havia tanta concorrência na cidade, chegava a vender 2.500 por semana”, revela.

Para esse verão, época de maiores vendas, Nascimento planeja deixar o trailer atual para uma nova instalação ao lado. “Com o negócio, construí a minha vida e criei meus filhos. Muitos clientes meus eu conheço desde a barriga da mãe”, conta.

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Saudável

A nutricionista Lígia Maria Fioravante de Carvalho, responsável pelo projeto Mesa Brasil de Bauru, explica que a água de coco possui em sua composição importantes nutrientes. Devido seu sabor adocicado, é indicada para aquelas pessoas que buscam outras alternativas de hidratação. “O sabor suave facilita a ingestão. E muitas pessoas preferem água de coco ao invés da água comum”, conta.

A profissional também indica a bebida para quem possui problemas digestivos. “Para quem se enjoa com facilidade, a água de coco é muito boa”. Pessoas que estão passando por quimioterapia também se beneficiam da fruta. “Ela contribui para diminuir os enjôos decorrentes do tratamento”, explica Carvalho.

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