Após a água do coco ser bebida, ainda sobra a polpa da fruta. Além de ser consumida in natura, ela também pode fazer parte de outros pratos. A nutricionista Lígia Maria Fioravante de Carvalho, responsável pelo projeto Mesa Brasil de Bauru, conta que a polpa, em pequena quantidade em cada fruto, não pode ser usada em larga escala, mas é ideal para bebidas e coquetéis. “A polpa é macia e pode ser usada em batidas, também aproveitando a água do coco”, diz.
Outra dica da nutricionista é usar a polpa para incrementar doces. “Misturar os pedaços da polpa num creme branco é uma alternativa”, aconselha. Mas o que fazer com a casca dos cerca de 20 mil cocos vendidos todas as semanas? “Alguns trituram, mas a maioria enterra. Na verdade, ninguém faz um aproveitamento adequado”, conta Camilo César do Nascimento, proprietário de uma barraca que comercializa o produto em Bauru.
O comerciante aponta a solução para essas cascas. No novo quiosque que vai abrir, ele pretende manter uma prensa para agregar valor aos restos. “Com as cascas prensadas, dá para fazer vasos, peças de artesanato, xaxins, estofamento para carros”, enumera, lembrando que a casca também pode ser usada como material comburente.
Para ele, a falta de destino adequado esbarra no desinteresse dos investidores. “Ninguém em Bauru se interessa nesse mercado”, critica. O atacadista Welignton Húngaro de Oliveira recolhe as cascas de coco de um dos comerciantes com quem trabalha. Ele as tritura e produz a matéria-prima para xaxim. Já o comerciante Francisco Alberto Franco de Bernardis afirma que joga os cocos no lixo. “O investimento para se reciclar de forma adequada é muito grande”, conta.