É só começar a temporada de chuvas para a moradora do Jardim Nicéia Maria Olinda Pereira ser estampada no jornal. Entra ano e sai ano, o problema dela é o mesmo: a possibilidade da casa onde mora desabar. De novo, só a fragilidade acentuada do imóvel, situado na quadra 1 da rua 5. Neste ano, a vizinha Diene Maria Lopes de Andrade engrossou o coro de reclamações.
A residência dela e de outra família também estão ameaçadas de queda, situação confirmada pela Defesa Civil. As três casas estão localizadas à beira de uma erosão, para onde a água da chuva corre. Além das rachaduras de até cinco centímetros nas paredes, Maria Olinda também aponta como preocupante a invasão das águas dentro do imóvel.
“Jogaram entulho e terra ontem (anteontem), mas o problema vai piorar. Do jeito que está, a água vem com mais força (para dentro de casa). Faz 12 anos que é o mesmo sofrimento”, afirma a moradora da quadra 1 da rua 5. Outro problema é uma erosão alagada, uma espécie de piscina, capaz de colocar em risco as crianças que brincam no local.
“Vão procurar dengue em casa e isso aqui. Tá todo mundo com virose. A água desce da rodovia Marechal Rondon e da empresa (de ônibus, situada nas proximidades)”, comenta. A “piscina”, no entanto, ajudaria a diminuir a velocidade das águas que chegam na porta das casas, comenta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.
Tubulação
De acordo com ele, a solução só virá se o bairro “ganhar” tubulação para canalizar águas pluviais ou se os moradores abandonarem o local. Enquanto um desfecho não for anunciado, Maria Olinda conta com uma touceira de capim colonião para que sua casa não vá ao chão. “A engenheira da Sear (Secretaria Municipal das Administrações Regionais) falou que será feita tubulação nas passagens da rua. Também vão colocar sacos de areia dentro do canal para evitar o impacto da água”, explica Brito.
Porém, oficialmente, a pasta apenas informou, via assessoria de imprensa, que suas equipes estiveram ontem no local e fizeram a proteção de uma das casas. Assim que o trabalho fosse concluído, iriam passar máquina ao longo da via para melhorar as condições de fluxo, trabalho previsto para hoje.
A realização de obras necessárias para por fim ao problema esbarra em litígio que envolve as terras onde o bairro foi erguido, informa o secretário de Obras, Leandro Joaquim. O fato da área ser particular limita o trabalho da administração municipal, informa o titular da pasta. “Não temos autorização judicial para fazer o serviço porque é área privada”, reitera. No entanto, a prefeitura pode ser responsabilizada em caso de acidentes grave no local, adverte Brito.