“Por volta de 1994, fomos, com o pessoal da Cesp, pescar no rio Aquidauna, mais precisamente em Porto da Éguas, local muito conhecido. É um lugar muito gostoso, que fica mais ou menos uns 80 Km de Aquidauna. Ficamos uns 11 dias acampados no local e programamos o seguinte: quando a turma saía para pescar, ficavam sempre uma ou duas pessoas para tomar conta do acampamento, providenciar o almoço e posteriormente o jantar.
Numa dessas vezes em que eu fiquei, por volta das l5h, após tirar uma soneca, fui acordado pelo barulho de um bando de quatis que chegavam debaixo de uns pé de coquinho que existiam por ali. Após acordar e me refazer, peguei uma varinha de lambari, com um anzol mosquitinho, bem pequeno, e fui na beira do barranco pescar lambari. Pensei comigo, eu pego uma boa fritada e quando o pessoal chegar, enquanto tomam umas cervejas, vão beliscando.
Tudo corria bem, era um lambari atrás do outro, até que certo momento, quando fui puxar a vara, senti uma certa resistência. Pronto, pensei comigo, peguei enrosco. Fui puxando devagar e com cuidado no sentido de salvar a vara, linha e anzol, quando, de repente, me aparece colocando a cabeça fora d’água um pacu de aproximadamente uns 9 quilos. Por incrível que pareça, o peixão estava fisgado pelo anzol.
Não acreditei naquilo e chamei meu companheiro que estava no acampamento comigo e com muito cuidado retiramos o bichão. Quando o mesmo já estava fora d’água, curiosos, abrimos a boca do peixe para ver o que tinha acontecido e aí pudemos entender o porquê de termos conseguido fisgar o bitelo. O anzol, miudinho havia enroscado num dente cariado do peixão e ele saiu de dor.”
Domicio Iamashita é advogado e de vez em quando pescador