De férias pela minha cidade natal, não pude deixar de me expressar neste espaço do leitor para levantar um assunto que é vigente. A construção do novo terminal aeroportuário de Bauru.
O alerta vale tanto para as autoridades locais quanto estaduais, pois o que se lê pela imprensa escrita é característica de pessoas com pouco conhecimento na área de transporte aéreo e administração aeroportuária. Não sou perito no assunto, mas trabalho há alguns anos nesse meio e posso afirmar que existe contra-censo nas declarações. Vale sempre a pena lembrar que o Brasil passa por um período onde se discute como seus governantes gastam o dinheiro (que não é pouco) de seus contribuintes e a transparência e a participação do munícipe é fundamental neste processo.
Já dizia o finado comandante Rolin quando soube da construção do novo terminal da cidade lá pelo início da década de noventa. Ele é muito distante da cidade. E com sua observação podia-se no mínimo perceber algo de estranho neste projeto.
Como se trata de infra-estrutura, o que mais me causou estranheza foi o fato de não ser mencionado no projeto em nenhum momento a empresa brasileira de maior Know-how na área de administração aeroportuária, a Infraero. Reconhecida nacional e internacionalmente, presta serviços de logística de carga, navegação aérea, aduana, entre outros.
E temos mais: O fórum permanente de discussão proposto pelo nosso prefeito está muito além de atrasado. Se fosse realmente implantado, o grupo descobriria que o atual aeroporto internacional de Campinas (Viracopos) consegue atender sozinho a demanda de todo interior paulista. Este se transforma no maior terminal (HUB) de carga da América do Sul. Acredito que já ultrapassou o terminal de Guarulhos.
A pergunta que faço é: qual o propósito deste novo terminal em Bauru? Para atender um (1) vôo comercial diário da empresa Pantanal?
Quando o Daesp (representado pelo senhor Ricardo Volpi) aponta para a carga doméstica a opção natural para o terminal, comete outro engano nesta análise. Uma consulta junto às empresas aéreas iria descobrir que carga doméstica está atrelada ao transporte de passageiros. Existe uma diretriz em todas as empresas aéreas brasileiras para potencializar estrategicamente seus vôos. Junto aos porões das aeronaves que levam os pertences dos passageiros, também se transporta carga. É de conhecimento no meio que quando uma aeronave não atinge um percentual de ocupação, ela não decola. Pois é prejuízo na certa. Ou seja, tem que haver demanda.
Outro detalhe: por acaso a empresa Pantanal deu seu aval positivo sobre a operação no novo terminal? A própria Pantanal fez um levantamento junto a seus clientes sobre o local que estes serão embarcados e desembarcados? Quanto sairá uma corrida de táxi entre o novo terminal e Bauru?
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, o contrário lhe parece racional. Primeiro se constrói um aeroporto para depois haver a discussão com as empresas aéreas e a divulgação das potencialidades da região. Parece-me que assuntos como viabilidade econômica, estatísticas de demanda, planilha de custos e política de desenvolvimento sustentado são matérias acadêmicas sem aplicabilidade na prática.
Com esses quase R$ 20 milhões previstos para os gastos no novo terminal, não seria melhor aplicá-los no atual aeroporto? Acredito que teria melhor utilidade à ampliação da pista (cabeceira 14), indenizações das propriedades periféricas, instalação de um ILS (equipamento para pouso em situações críticas), construção de uma torre de controle e ampliação do atual terminal de passageiros.
Parece-me que um elefante branco desperta ao norte de Bauru.
Pedro Luiz Zamaro - RG 15.803.814