A partir de agosto deste ano, estudantes de todos os cursos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) terão na grade curricular a disciplina de empreendedorismo. A novidade é resultado de parceria firmada nesta semana, em São Paulo, entre a universidade e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O objetivo principal do convênio é oferecer aos graduandos uma visão básica de mercado. A disciplina, entretanto, é opcional, mas será disponibilizada aos 30 mil alunos da Unesp distribuídos entre 33 câmpus.
Conforme a assessoria de imprensa do Sebrae, a parceria pretende realizar outras ações, como o suporte para as empresas júnior da universidade e seminários. O Sebrae também quer usar a tecnologia da Unesp para videoconferência, para educação empreendedora a distância.
A coordenadora do Centro do Empreendedor do Sebrae em São Paulo, Maria Cristina Alves, defende que a disciplina é essencial para todos os cursos. “Não existe um foco de interesse que não caiba o empreendedorismo. Empreender significa abrir a visão para descobrir focos de empreendimentos no mercado. E hoje, essa idéia não é trabalhada nos cursos superiores”, destaca.
Alves comenta que é preciso mudar entre os universitários brasileiros a mentalidade de que, quando se formarem, vão tentar emprego numa multinacional ou ainda optar pela informalidade caso não encontrem trabalho na área na qual se graduaram. Ela também diz que 90% das empresas do País são caracterizadas como pequenos negócios.
De acordo com a coordenadora, as aulas serão ministradas por professores da própria Unesp que se encaixarem num perfil diferenciado. Para o vice-diretor da Faculdade de Engenharia da Unesp, Jair Manfrinato, a implantação do empreendedorismo vai ao encontro de uma cultura de iniciativa empresarial que é escassa no Brasil, principalmente nas universidades.
“Hoje, conforme o Sebrae, 49,2% das empresas fecham suas portas ainda no primeiro ano de fundação. Isso ocorre porque as pessoas que se propõem a abrir um empreendimento não têm noção mínima do que é uma empresa, um produto, marketing, muitas não sabem, sequer, calcular um custo”, explica.
Ele ainda aposta na implantação da medida como alternativa para ajudar no crescimento da empregabilidade. “Essas pequenas empresas geram empregos, riqueza e melhor distribuição de renda. Dessa forma, conseguiremos baixar o índice de fechamento de tantas delas”, conclui.
A universitária do terceiro ano de pedagogia da Unesp, Heloísa Lorenzetti, acha a disciplina válida, porém não para todos os cursos. “Como será optativa, eu só faria se entrasse como matéria extensiva do curso. Não deixaria as disciplinas opcionais da minha faculdade, as quais são mais interessantes para as minhas pretensões e habilidades profissionais, para cursar empreendedorismo”, explica.
A nova disciplina será oferecida semestralmente com carga horária de 60 horas. No câmpus de Bauru, cerca de 4.300 alunos poderão fazer a opção pelo empreendedorismo.