Muita propaganda e nenhum efeito para o bolso do consumidor. Essa foi a avaliação de produtores de cana, distribuidores e donos de postos em Bauru sobre o acordo que o governo federal firmou com os usineiros anteontem, decidindo o preço máximo do álcool que sai das usinas a R$ 1,05 o litro, apenas quatro centavos a menos do preço praticado até então. Nas bombas dos postos de combustível, o preço máximo praticado pelos estabelecimentos de Bauru é R$ 1,69.
Wagner Siqueira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), não está seguro que haverá redução no preço do álcool. Se houver, diz, será daqui a dez dias. “Os distribuidores compram grandes quantidades e só vão repassar o preço na próxima vez que tiverem que renovar os estoques. Acredito que a média dos revendedores continuará a R$ 1,35. Mas alguns distribuidores chegaram a vender o litro a R$ 1,40”, conta.
A única coisa prática que esse acordo poderá resultar, segundo o Sincopetro, é que os usineiros se comprometeram a não subir mais o preço durante a entressafra. “Cada dia chegava um preço novo, agora isso pode parar”, acredita Siqueira.
Mesmo se a queda chegar ao consumidor, a redução será mínima. “Não irá superar 3%”, calcula. Para encher o tanque de um carro com capacidade de 45 litros, a economia total será de R$ 1,80. “Mas eu só acredito na redução, vendo”, sentencia Siqueira.
O representante de uma distribuidora, que preferiu não se identificar, explica que o valor máximo estipulado com os usineiros é o preço-base, sem a incidência de impostos. “O valor da queda será tão mínimo, que nem vale a pena repassar. É marketing puro”, avalia. Mas ele ressalta como aspecto positivo a promessa dos usineiros de não subir mais o preço. “Se isso acontecer, será bom. Do jeito que estava indo, em pouco tempo o consumidor iria pagar R$ 2,00 o litro do álcool”, frisa.
Outro item do acordo foi o adiantamento da safra 2006-2007 para março. Mas segundo Paulo Brandão, dirigente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associana), os produtores não foram comunicados formalmente. “Só chamaram o setor industrial, os produtores independentes não foram comunicados”, critica. Ele disse que a associação irá esperar até a semana que vem para avaliar a situação, mas ele se posiciona favorável a qualquer atitude que evite as grandes flutuações de preço do combustível. “Em março, o litro era vendido na usina a R$ 0,60”, lembra.