Bairros

Aluno terá aula em tempo integral

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

O início do ano letivo na rede estadual de ensino, daqui a exatamente um mês, será marcado por uma novidade: as escolas começarão a funcionar em período integral. Em Bauru, aproximadamente 2 mil alunos do ensino fundamental - de 1.ª a 8.ª série - de três escolas permanecerão nove horas por dia na unidade de ensino. Com a mudança, eles entrarão às 7h e só sairão às 16h, de segunda à sexta-feira, mas o tempo de aula não sofrerá alteração.

Além de lanches – um pela manhã e outro à tarde, os estudantes vão almoçar na escola. Pela manhã, assistirão aulas das disciplinas convencionais, como português, matemática e história. E no período da tarde, participarão de oficinas culturais - como teatro, música e dança - e de empreendedorismo; atividades esportivas; aulas práticas de meio ambiente, computação e língua estrangeira; resolução de problemas matemáticos, entre outras atividades, como discussões sobre ética e moral.

As três escolas de Bauru que aderiram ao projeto do ensino integral são: Christino Cabral, no Jardim Estoril; José Aparecido Guedes Azevedo, na Bela Vista, e Mercedez Paes Bueno, no Higienópolis. A novidade, foi divulgada ontem pelo governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo secretário estadual de Educação, Gabriel Chalita, através de teleconferência assistida pela Diretoria Regional de Ensino.

Ao todo, quase 140 mil alunos em todo Estado estarão inseridos no projeto que tem como objetivo melhorar a aprendizagem e formação cultural e social aos alunos, diminuindo a permanência dos adolescentes nas ruas, em tempo ocioso. “A experiência do programa em outros países, como China, Espanha e Chile, mostra que a permanência dos alunos em período integral resultou em melhoria na educação. Nosso objetivo é fazer o mesmo no Estado”, disse Chalita durante a teleconferência.

Os pais de alunos que não concordarem com a permanência de seus filhos em período integral na escola precisarão pedir transferência para outra unidade de ensino que não integre o projeto. As oficinas e aulas do período da tarde estarão inseridas na grade curricular, como outra disciplina qualquer, informa a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Educação.

O estudo em tempo integral divide opiniões entre os alunos entrevistados pelo JC e que estão matriculados em uma das escolas que aderiu ao projeto. Eles gostariam de poder optar por fazer algumas das oficinas e não ter a necessidade de ficar até as 16h na escola todos os dias da semana. “Não sei se vou gostar. Vai ter que ser todo dia?”, pergunta uma aluna da 8.ª série da escola Mercedez Paes Bueno, que preferiu não se identificar.

Outra estudante da mesma escola, Ieda Barreto Gonçalves, achou boa a idéia de ter oficinas de língua estrangeira, mas quando foi informada de que terá de ficar todos os dias até as 16h na escola, desapontou-se: “Não sei se vou gostar”, diz.

Mãe de outra aluna da escola, Nilcéia Machado Rodrigues, acha que será útil se sua filha, Diully Rodrigues dos Santos, aprender computação. “Vai ser produtivo porque vai ajudar na carreira dela aprender computação”, diz. Já Diully, não gostou muito. “Quero aprender dança e computação, mas não todos os dias”, opina.

Estrutura

Para a pedagoga Maria Zilda Facin Zanconato, o estudo em tempo integral será bem-vindo se as escolas tiverem condições de atender todos os alunos, com estrutura e espaço adequados. “Será uma boa oportunidade para aprendizagem dos estudantes. Ao invés de ficar nas ruas, os adolescente poderão fazer oficinas que muitas vezes não poderiam ser pagas pelos pais”, avalia.

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500 escolas no Estado

O programa Escola de Tempo Integral foi lançado no início de dezembro do ano passado. A previsão da Secretaria do Estado de Educação era incluir, inicialmente, 170 escolas estaduais, mas o número de instituições interessadas em participar ultrapassou as expectativas: 500 fizeram adesão.

Além de três unidades em Bauru, na região outras cinco escolas aderiram. São três em Lençóis Paulista, uma em Lucianópolis e outra em Pirajuí. Segundo o governador Geraldo Alckmin, haverá contratação de professores e funcionários, mas o número exato só será conhecido em fevereiro.

“Somente após o fechamento da atribuição de aulas de cada escola é que saberemos quantos funcionários e professores precisarão ser contratados”, avalia o governador.

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