Bocaina - Cerca de 250 casarões do início do século 20 estão sendo estudados em Bocaina (69 quilômetros de Bauru) por dois alunos e uma professora de turismo de uma faculdade de São Paulo. Os prédios foram construídos entre 1900 e 1920.
Em uma primeira etapa, será feito um levantamento do valor arquitetônico, histórico e cultural das fachadas dos casarões. Na segunda etapa, a professora Zilda Maria Matheus e os alunos Jean Gustavo Niotti Machado e Érica Rosa farão uma análise técnica e classificação dos edifícios e construções para futura indicação para tombamento.
“Estamos encantados com a beleza dos casarões. Trata-se de um acervo vivo, com grande valor patrimonial, histórico e cultural da época áurea do café”, comenta Zilda Matheus.
Segundo ela, a maioria dos casarões é de 1900 e tem características arquitetônicas ecléticas, uma mistura de diversos estilos. “Encontramos colunas gregas e clássicas nas construções. Também um pouco do período neocolonial.”
A professora está usando como instrumento de trabalho o que chama de “ficha especialmente feita pelos alunos para estudo da arquitetura dos casarões”. O inventário permitirá desenvolver política de preservação dos casarões e conscientização de seus proprietários na manutenção da originalidade das construções.
“O conhecimento do valor histórico das construções alimentará a auto-estima e a consciência da população no resgate da história de Bocaina”, acrescenta Zilda Matheus.
Outro importante objetivo do estudo dos casarões é o impulso ao desenvolvimento do turismo no município.
“Bocaina pode ter um enorme potencial turístico com a conservação desse patrimônio arquitetônico”, acredita a doutora em turismo da Universidade Anhembi-Morumbi.
Tombamento
Com esse inventário, o prefeito João Francisco Danieletto (PV) pretende iniciar uma política de tombamento dos casarões a partir do próximo ano.
O prefeito acha também que a beleza e os valores cultural, histórico e arquitetônico dessas construções deve impulsionar a política de atração de turistas ao município. “Essa é também a nossa meta. Bocaina possui grande potencial turístico, incluindo as 13 telas sacras e mais importantes do pintor Benedito Calixto e a obra arquitetônica e vitrais da igreja matriz São João da Bocaina”, conclui o prefeito.
O inventário está sendo feito por meio de um convênio entre a prefeitura, a Universidade Anhembi-Morumbi e a Mega Júnior, empresa-laboratório júnior dos alunos.