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Doença eqüina incurável chega ao Brasil

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Uma doença rara e incurável, que afeta principalmente os cavalos da raça quarto de milha, foi detectada recentemente no Brasil. Seu nome científico é Astenia cutanea, doença dermatológica conhecida nos EUA e que pela primeira vez foi detectada no País.

O veterinário Alexandre Borges, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), câmpus de Botucatu, participou da detecção da doença encontrada em três cavalos de uma fazenda em São Paulo. Borges faz parte de um grupo de pesquisadores formado por Ana Alves, também da FMVZ, Lissandro Conceição, da Universidade Federal de Viçosa, Lígia Motta, do Instituto de Biociências, em Araçatuba, e Silvia Crusco e José Fernando Garcia, do curso de Medicina Veterinária.

A Astenia cutanea é uma doença hereditária (transmitida pelos genes) que atualmente não é possível de ser detectada com antecedência. “É uma doença genética, não é uma doença transmitida de um cavalo para o outro por contato”, explica Borges.

A detecção da doença foi feita em 2001, em animais de uma mesma família, com idade entre 2 a 4 anos. Mas a descoberta da doença em solo brasileiro só foi difundida no ano passado, através de um artigo científico sobre a doença escrito pelo grupo de pesquisadores brasileiros. O artigo foi publicado na revista científica Veterinary Dermatology, em abril do ano passado.

A Astenia cutanea deixa pequenas feridas na pele do animal, na região lombar ou do tórax. Apesar de não ser letal e nem contagiosa, ela pode gerar prejuízos econômicos aos criadores.

“São animais que não podem ser utilizados para provas esportivas, nem para reprodução, porque senão vão passar esse gene adiante (para os descendentes). Mas são animais que, bem cuidado, vivem”, comenta o veterinário.

Borges explica que os animais que foram identificados com a doença são da raça quarto de milha e pertencem, particularmente, a uma linhagem que faz a apartação. “Esses animais têm um atrito com a cela muito grande. Então, toda vez que estão se locomovendo, o atrito provoca lesões de pele muito grandes”, lamenta.

Segundo o veterinário, hoje os EUA têm mais de 250 casos confirmados da doença e, infelizmente, ela não é uma exclusividade dos cavalos, pode ocorrer também em bois, cães e gatos.

Testes

Ainda não existe um teste que possa determinar se o animal possui o defeito genético. Dessa forma, só é possível determinar a doença depois que ela tiver se manifestado nos animais.

No entanto, pesquisadores brasileiros e norte-americanos trabalham para desenvolver um teste clínico que possa detectar a doença com antecedência nos animais. “Essa pesquisa já está encaminhando. A expectativa é que dentro de dois anos tenhamos como ter um teste genético para dizer se o cavalo é normal ou apresenta o gene da doença”, diz Borges.

Ele explica que o diagnóstico da doença atualmente é um pouco difícil porque existem outras enfermidades importantes que podem ter um achado semelhante. “É preciso fazer uma biópsia de pele, uma análise clínica no animal, no pedigree, para se ter uma confirmação do diagnóstico”.

Segundo Borges a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Botucatu está apta para fazer o diagnóstico.

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