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Amor à cultura e à liberdade


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Janeiro é um mês rico de feriados que exaltam a cultura, a liberdade e a solidariedade: 4 de janeiro (criação da primeira tipografia no Brasil), 7 de janeiro (Dia da Liberdade de Cultos), 29 de janeiro (Dia do Jornalista), 30 de janeiro (morte do Mahatma Gandhi).

Um tempo que realça valores cívicos e patrimônios humanos indispensáveis à sobrevivência da civilização – tolerância, cultura, liberdade – inspira-me a dar conselhos, dirigidos de maneira especial aos jovens.

Procure ir formando pouco a pouco sua biblioteca, ainda que com um reduzido número de volumes. O mundo do pensamento é o mundo dos livros. Jornais ensinam, rádio e televisão podem ensinar, mas o livro é insubstituível. Faça de sua biblioteca, ou de sua simples mesinha com alguns livros, um espaço de estudo, reflexão, mergulho no infinito. Compre livros um por um, pois deve ser um ato consciente que obedeça a um verdadeiro ritual, de modo a ligar-se à trajetória de sua vida.

Como simples cidadão, freqüente bibliotecas. Se você é estudante, freqüente a biblioteca de sua escola ou faculdade. Seja um “rato de biblioteca”. Você poderá descobrir nas bibliotecas obras preciosas que às vezes ficam esquecidas.

Preserve livros antigos, sejam os de sua biblioteca particular, sejam os de biblioteca pública ou universitária. Não há livros ultrapassados. Na área jurídica, por exemplo, um livro que se refira a uma lei revogada não é desprovido de valia. Terá utilidade pelo menos para fins de pesquisa.

É importante ler jornais. Faça-o com espírito atento. Não aceite, sem crítica, o critério de relevância que foi dado aos textos pelos redatores do jornal. Você pode concluir que a matéria mais importante, no jornal que você tem nas mãos, está perdida num cantinho da décima página e que a manchete de primeira página trata de assunto que não merece o realce que foi atribuído a ele.

Embora exista a expressão “jornal de ontem”, para significar jornal destinado ao lixo, isto não me parece exato. Há nos jornais matérias de interesse permanente. Recorte o que lhe parecer relevante ou útil. Organize arquivo com recortes de jornal, classificando-os por tema, se você gosta de arquivos. Não vejo que este bom hábito tenha sido ultrapassado pelos recursos da internet.

Contribua para que o ambiente da biblioteca de sua comunidade, escola ou Faculdade seja um ambiente agradável. Colabore com a limpeza, observe o silêncio. Tenha zelo com os livros, pois que não servirão apenas para você mas também para as gerações que virão. Trate com respeito e amizade os bibliotecários ou bibliotecárias. Poucos ofícios, neste mundo, têm tanta importância social quanto este. Os bibliotecários são guardiães da cultura e fiadores da memória de um povo.

O autor, João Baptista Herkenhoff, é livre docente da Universidade Federal do Espírito Santo, magistrado e escritor. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br Homepage: www.joaobaptista.com

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